Ameaçada, Benny Briolly volta ao Brasil: “meu corpo traduz a leitura de uma nova política”

A vereadora de Niterói, que é trans, precisou deixar o País após quase ser linchada nos arredores da Câmara Municipal depois de defender medidas de conscientização àqueles que se recusassem a receber a vacina contra Covid-19: “isso é um rompimento dos marcos democráticos”. Assista na TV 247

Vereadora Benny Bryolly
Vereadora Benny Bryolly (Foto: Reprodução/Facebook)


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247 - A vereadora de Niterói, no Rio de Janeiro, Benny Briolly (PSOL), que retornou ao Brasil na última semana após ser forçada a buscar proteção fora do território nacional, falou à TV 247 sobre o perigo de atuar na política brasileira sendo uma pessoa transexual.

Antes de deixar o país, Benny escapou por pouco de um linchamento nos arredores da Câmara Municipal de Niterói quando manifestantes de um ato, que segundo ela foi conduzido pelo vereador Douglas Gomes (PTC) - que chegou a publicar uma foto com uma arma em cima da mesa em seu gabinete - se revoltaram contra a parlamentar após ela ter defendido medidas de conscientização àqueles que se recusassem a receber a vacina contra Covid-19. 

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“Eu saí da Câmara Municipal escoltada por um ato conduzido por esse parlamentar onde as pessoas corriam atrás de mim para me espancar. Os portões da Câmara Municipal de Niterói tiveram que ser fechados e a polícia e a guarda tiveram que me escoltar, porque eu poderia ser linchada até a morte. Isso são coisas muito graves, isso não é só uma ameaça à jovem democracia brasileira, isso é um rompimento dos marcos democráticos”.

Para Benny, seu corpo trans já é por si só um manifesto político, de afronta aos preconceitos do Estado brasileiro, e muitos não suportam sua presença nos chamados “espaços de poder”. “O meu corpo na Câmara Municipal de Niterói, o meu corpo nas esferas de poder, o meu corpo onde ele transita hoje é uma ameaça ao Estado patriarcal, ao Estado genocida, uma ameaça a todas as políticas de violações concretas de direitos humanos. O meu corpo traduz a leitura de uma nova política, de uma política que derruba o patriarcado, de uma política que derruba a misoginia, a LGBTfobia, a transfobia, o racismo, o elitismo”.

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