Advogada de vítima de estupro quer saída de delegado
A advogada da jovem de 16 anos vítima de um estupro coletivo na zona oeste do Rio pedirá o afastamento do delegado Alessandro Thiers das investigações; segundo Eloísa Samy Santiago, o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) teria conduzido o interrogatório de forma inadequada; "Ele está criminalizando e culpabilizando a vítima. Uma das perguntas que fez ontem, e que fiquei absolutamente estarrecida e indignada, foi se a vítima tinha por hábito fazer sexo em grupo", contou
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Rio 247 - A advogada da jovem de 16 anos vítima de um estupro coletivo na zona oeste do Rio pedirá o afastamento do delegado Alessandro Thiers das investigações. Segundo Eloísa Samy Santiago, o titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) teria conduzido o interrogatório de forma inadequada.
"Ele está criminalizando e culpabilizando a vítima. Uma das perguntas que fez ontem, e que fiquei absolutamente estarrecida e indignada, foi se a vítima tinha por hábito fazer sexo em grupo. Isso para uma vítima de estupro coletivo. Encerrei o depoimento", disse ela. A jovem foi violentada por 33 homens armados.
Eloisa afirmou que vai fazer contato com a Promotoria da Infância e Juventude. "Espero que isso chegue às autoridades máximas do estado. Quando você tem o próprio delegado criminalizando e culpabilizando a vítima, você entende por que tantas mulheres deixam de levar ao conhecimento das autoridades as denúncias sobre abuso sexual e violência. Isso é um exemplo perfeito e acabado. Mesmo com toda a atenção da mídia e com repercussão internacional do caso", acrescentou, conforme relato do jornal Extra (RJ).
Os delegados Alessandro Thiers e Cristiana Bento concederam entrevista coletiva à imprensa, nessa sexta-feira (27), ao lado do chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso. O caso chegou a ser tratado pelos delegados como “suposto estupro”, e Thiers disse que a polícia tinha diversas linhas de investigação, inclusive para verificar “se houve ou não estupro”. Depois, o chefe de Polícia afirmou que a polícia trabalha com indícios.
“Há indícios veementes de que houve estupro, mas não podemos afirmar ainda se houve ou não, ou de que forma houve. Não podemos nos basear no ‘ouvi dizer’. Só o exame de corpo de delito vai apontar se houve estupro ou não. O laudo pode trazer uma certeza ou uma dúvida. Pode demandar outra diligência para sanar uma dúvida que surge no próprio laudo”, disse Veloso.
Outro lado
Confira a nota divulgada pela Polícía Civil:
"A Polícia Civil esclarece que a investigação do caso tem sido feita de forma integrada pelas duas delegacias especializadas – Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) - para realizar apuração do crime.
A investigação é conduzida de forma técnica e imparcial, na busca da verdade dos fatos, para reunir provas do crime e identificar os agressores, os culpados pelo crime.
A DRCI informou que durante a oitiva da vítima ela confirmou que sofreu o estupro e, lhe foi perguntado se tinha conhecimento que havia um outro vídeo sendo divulgado em mídias sociais em que ela apareceria mantendo relações sexuais com homens, conforme relato de uma testemunha. A vítima informou que desconhece o vídeo e que não é verdadeiro. A mãe da vítima acompanhou todo o depoimento, sendo que, em determinado momento, houve discordância entre a advogada e o desejo da mãe da vítima. Por esta razão a oitiva da mãe foi feita sem a presença da advogada.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), atendendo a convite da Polícia Civil, vai designar representante para acompanhar a investigação.
A investigação continua em andamento".
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