Acidente de trem: governo promete apuração isenta
O secretário de Transporte do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Osório, admitiu a gravidade do acidente envolvendo dois trens que se chocaram na Baixada Fluminense, deixando cerca de 150 pessoas feridas; segundo ele, o choque teria ocorrido por "falha inadmissível"; "Foi um acidente gravíssimo. Houve sim falha inadmissível e uma apuração isenta, seguida de punição rigorosa, é uma forma de minimizar as possibilidades de que fatos como esse voltem a ocorrer", disse
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Nielmar de Oliveira - Repórter da Agência Brasil
O secretário de Transporte do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Osório, admitiu a gravidade do acidente envolvendo dois trens que se chocaram na noite de ontem (5) na Estação Presidente Juscelino, em Mesquita, na Baixada Fluminense, deixando cerca de 150 pessoas feridas. Segundo ele, o choque teria ocorrido por "falha inadmissível". As causas do acidente estão sendo apuradas por técnicos da Agência Reguladora dos Transportes Públicos (Agetransp) e o secretário prometeu, dependendo do resultado das investigações, "punição rigorosa" à concessionária.
Depois de trabalharem durante toda a madrugada, técnicos e funcionários da SuperVia conseguiram liberar totalmente o ramal de Japeri, no trecho mais afetado pelo acidente, entre as estações de Edson Passos e Presidente Juscelino, que voltaram a funcionar parcialmente por volta das 4h.
Durante toda a manhã, técnicos e peritos da SuperVia e também da Agetransp vistoriaram o local do acidente para recolher subsídios a serem usados pela comissão de sindicância que vai apurar as causas do acidente e deverá concluir os trabalhos em 30 dias.
Carlos Osório anunciou que até o final deste ano todos os trens antigos em circulação, como é o caso dos dois envolvidos na acidente, serão substituídos por locomotivas novas. Para ele, punir os responsáveis é importante para reduzir a possibilidade de que mais acidentes venham a ocorrer. "Foi um acidente gravíssimo. Houve sim falha inadmissível e uma apuração isenta, seguida de punição rigorosa, é uma forma de minimizar as possibilidades de que fatos como esse voltem a ocorrer."
O secretário explicou que a locomotiva envolvida no acidente havia passado por requalificação há cerca de três anos. A expectativa agora é pelo depoimento dos maquinistas das duas locomotivas envolvidas na colisão, que deve ocorrer ainda na tarde de hoje na delegacia de Mesquita (53ª).
Passageiros relatam momentos de tensão
Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil
Sete feridos no acidente de trem ocorrido na noite de ontem (5), na Baixada Fluminense, continuam internados no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu. Os pacientes estão estáveis e serão submetidos a novos exames. De acordo com o hospital, 158 pacientes deram entrada na unidade com ferimentos da colisão entre dois trens na Estação Juscelino, no município vizinho de Mesquita.
Pâmela de Oliveira, de 24 anos, deu entrada por volta da meia-noite e só deixou o hospital às 9h30 de hoje (6). Ela estava na composição que se chocou com a outra, parada na estação. “O trem estava lotado e estava tudo escuro. Quando houve a batida, foi uma gritaria sem fim. Bati com a cabeça e apaguei. Quando acordei, minha perna estava presa embaixo do banco e tinha uma mulher protegendo minha cabeça, porque as pessoas estavam pisando umas nas outras”, relata.
José Francisco da Silva, de 30 anos, estava no penúltimo vagão do trem parado na estação antes da colisão. Ele machucou o peito e procurou uma unidade de pronto-atendimento. “O trem vinha parando de cinco em cinco minutos. Quando chegou à Estação de Juscelino, ficou muito tempo parado. Um rapaz então gritou: 'está vindo outro trem'. Então, veio o impacto e todo mundo caiu um por cima do outro. O pessoal gritou que estava pegando fogo, então pulei pela janela”, conta. Segundo ele, o socorro foi feito inicialmente pelos próprios passageiros e só cerca de 20 minutos depois chegaram as primeiras ambulâncias.
O servente de pedreiro Luiz Cláudio Queiroz, de 49 anos, também tentou fugir do local depois da batida, mas caiu no vão entre o trem e a plataforma. “Eu tentei sair correndo, mas caí do vagão e machuquei meu braço. Um rapaz me puxou e eu saí de lá cheio de dor. No meio do tumulto, vi um monte de gente roubando celulares de outras pessoas”, conta o passageiro que inicialmente foi para casa, mas resolveu buscar o hospital pela manhã, por causa da dor.
Um dos feridos que relatou ter sido roubado foi o aposentado Feliciano Reis, de 70 anos. Com o impacto, ele torceu joelho. O passageiro, que sofre com problemas cardíacos, diz que perdeu a mochila com o celular e três remédios. “As pessoas gritavam. Tinha muita gente ensanguentada e ferida. Era triste ver as pessoas se contorcendo de dor, enquanto outras pulavam as grades [da estação] para roubar”, conta.
A diarista Maria Aparecida Irineu, de 51 anos, que também contou ter visto roubos depois do acidente, espera superar a dor para voltar a trabalhar. “Machuquei minha perna e minha mão. Fui para casa, porque estava nervosa, mas hoje voltei para procurar atendimento aqui no hospital. O médico disse que foi só luxação. Vou tentar trabalhar”, disse.
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