Uso de água do Paranaíba deverá ser cobrado

O Conselho de Recursos Hídricos do Distrito Federal analisa cobrar o uso da água da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, responsável por 99% do abastecimento de Brasília; a medida passaria a valer em 2017; diante da escassez da água e da necessidade de garantir investimentos em ações de recuperação ambiental, ele se mostra importante na conscientização da população sobre o valor dos recursos hídricos, segundo o governo local; no entanto, o Executivo assegura o impacto será pequeno na conta de água

O Conselho de Recursos Hídricos do Distrito Federal analisa cobrar o uso da água da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, responsável por 99% do abastecimento de Brasília; a medida passaria a valer em 2017; diante da escassez da água e da necessidade de garantir investimentos em ações de recuperação ambiental, ele se mostra importante na conscientização da população sobre o valor dos recursos hídricos, segundo o governo local; no entanto, o Executivo assegura o impacto será pequeno na conta de água
O Conselho de Recursos Hídricos do Distrito Federal analisa cobrar o uso da água da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, responsável por 99% do abastecimento de Brasília; a medida passaria a valer em 2017; diante da escassez da água e da necessidade de garantir investimentos em ações de recuperação ambiental, ele se mostra importante na conscientização da população sobre o valor dos recursos hídricos, segundo o governo local; no entanto, o Executivo assegura o impacto será pequeno na conta de água (Foto: Leonardo Lucena)


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Étore Medeiros, da Agência Brasília - O Conselho de Recursos Hídricos do Distrito Federal analisa cobrar o uso da água da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, responsável por 99% do abastecimento de Brasília. A medida passaria a valer em 2017. Diante da escassez da água e da necessidade de garantir investimentos em ações de recuperação ambiental, ele se mostra importante na conscientização da população sobre o valor dos recursos hídricos. Os consumidores brasilienses pagam apenas pelos serviços prestados pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), como captação, tratamento e distribuição da água, mas não pelo líquido em si.

De acordo com a Política Nacional de Recursos Hídricos (Lei nº 9.433, de 1997), produtores rurais, indústrias e companhias de abastecimento urbano que fazem captações nos rios brasileiros — ou que neles lançam efluentes — estão sujeitos à cobrança pelo uso da água, o que deve gerar um custo adicional para a Caesb. Mesmo que a companhia precise repassá-lo ao consumidor, entretanto, a taxa representará um aumento pouco significativo nas contas de água.

Na avaliação de especialistas, a taxa cobrada de quem capta a água é baixa e, se diluída entre os consumidores, terá impacto realmente pequeno na conta. "O foco da discussão tem que ser o valor pedagógico e de mudança de paradigma que a cobrança pode trazer", ressalta o analista de Sistemas de Saneamento da Caesb, Fábio Bakker. "O momento é de discutir a importância do pagamento, dedicando atenção para a eficiência e a sustentabilidade do saneamento em Brasília de forma a impactar o mínimo possível o consumidor."

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A possibilidade de cobrança engloba cinco das sete bacias hidrográficas de Brasília, das quais sai a maior parte do abastecimento urbano da cidade: Descoberto, São Bartolomeu, Corumbá, São Marcos e Paranoá. O uso da água da Bacia Hidrográfica do Rio Preto é o único que está sujeito a cobrança, restrita a áreas rurais do nordeste do Distrito Federal. Desde 2010, é cobrado R$ 0,01 por cada metro cúbico (mil litros) de água captada dessa bacia.

A taxação da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba também abrange os rios federais — que cruzam mais de uma unidade da Federação — de Minas Gerais, de Mato Grosso do Sul e de Goiás.

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Contexto e resultados
O desembolso pela água faz parte, há anos, da realidade de países como Alemanha, Holanda, Colômbia, México e Estados Unidos — na França, a taxa é uma realidade desde a década de 1960. No Brasil, a cobrança já é feita nas Bacias Hidrográficas dos Rios Paraíba do Sul, Doce, São Francisco e Piracicaba, Capivari e Jundiaí, de domínio da União, e em alguns rios estaduais.

A taxa existe, além de Brasília, em 11 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Ceará e Goiás. Desde que foi instituída pioneiramente no Ceará, em 1996, e somando os pagamentos sobre rios estaduais e federais, a cobrança já gerou R$ 1,35 bilhão, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA).

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Uma das principais destinações da arrecadação é a recuperação de mananciais. Na Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, por exemplo, os recursos já bancaram projetos que contemplam a construção de curvas de nível, paliçadas (cercas de estacas fincadas ao solo), terraços e barragens para a contenção de águas pluviais, melhorias ecológicas nas estradas vicinais, recomposição vegetal, cercamento de nascentes e programas de educação ambiental.

Uso racional
Além disso, a instituição das taxas tem impacto na adoção de medidas importantes pelos próprios usuários. Uma pesquisa com industriais, agricultores e outros empreendedores que pagam, desde 2003, pela água captada da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, apontou que 23,6% deles implementaram medidas para racionalizar o uso após o início dos desembolsos.

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Outro levantamento, também da ANA, aponta que entre os consumidores sujeitos à taxa na Bacia Hidrográfica dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, a adoção de medidas de uso inteligente se deu em 50,6% dos empreendimentos, também após a instituição da cobrança. Na região, os pagamentos estão em vigor desde 2006.

Sustentabilidade
O analista da Caesb Fábio Bakker é um dos representantes de Brasília no Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranaíba, na qual também têm assento nomes dos governos e das sociedades civis de Goiás, de Mato Grosso do Sul e de Minas Gerais. O comitê é responsável por planejar os detalhes da cobrança. Segundo o analista, a ideia é que o pagamento exerça um papel preventivo e de sustentabilidade.

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Para isso, devem ser valorizadas tecnologias mais eficientes de tratamento, sistemas de reúso de água, redução de perdas no saneamento e boas práticas na agricultura, entre outras ações. "Em síntese, queremos um sistema que cobre valores menores de empreendedores sustentáveis e valores maiores daqueles na contramão da sustentabilidade", defende o analista da Caesb.

Investimentos
Segundo a Política Nacional de Recursos Hídricos, o dinheiro arrecadado deve ser investido na própria bacia, não podendo ser revertido para outros fins. "Propomos que os recursos sejam investidos a montante (na direção da nascente) do ponto onde são arrecadados, ou seja, se a Caesb capta água em um rio, que se invista o dinheiro proporcional acima desse ponto de captação", explica Rafael Mello, superintendente de Recursos Hídricos da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa). "O recurso pago aqui seria investido no próprio DF, já que estamos em uma região de cabeceira", justifica.

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Para que as ideias dos representantes de Brasília se concretizem é preciso, primeiro, a aprovação do Conselho de Recursos Hídricos do Distrito Federal. Depois, o assunto será debatido no Comitê do Paranaíba. Por fim, a medida requer o aval do Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Todo o processo deve levar pelo menos dois anos para ser concluído.

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