Temer vai ao STF questionar fatiamento de Janot, diz Kennedy
"Michel Temer apresentará recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal) para argumentar que o fatiamento de denúncias seria ilegal e uma chicana praticada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Temer avalia que derrubará a primeira denúncia de Janot na Câmara, mas quer evitar a apresentação de outras acusações", aponta o jornalista Kennedy Alencar
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Por Kennedy Alencar, em seu blog
A defesa do presidente Michel Temer apresentará recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal) para argumentar que o fatiamento de denúncias seria ilegal e uma chicana praticada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Temer avalia que derrubará a primeira denúncia de Janot na Câmara, mas quer evitar a apresentação de outras acusações.
O presidente alegará que há um conjunto único de provas e evidências. Sustentará que Janot não poderia fatiar as acusações, mas apresentar as diversas acusações por crime comum numa única peça e que estaria fazendo uma guerra processual desleal e de má-fé.
O Ministério Público busca novas delações a fim de acrescentar novidades à investigação que nasceu a partir das colaborações dos donos da JBS justamente para tentar rebater eventual contestação do governo. Haverá um round jurídico antes em relação a essas novas denúncias.
O governo sabe que, se a Câmara tiver de repetir todo esse processo da CCJ e votar novas denúncias em plenário, aumentará o risco de uma derrota de Temer e crescerá a chance de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumir o governo. Temer tem dado mostras de que lutará com todas as armas para ficar no cargo até o fim do ano que vem.
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Fôlego na guerra
A vitória ontem na CCJ da Câmara fortaleceu Temer para a batalha decisiva na Câmara, sinalizando que ele deverá conseguir derrubar o pedido de autorização para que o Supremo analise a primeira denúncia do procurador-geral da República. O presidente reverteu em poucos dias uma derrota que era dada como certa.
Na segunda-feira, o relatório de Sérgio Zveiter provocou um enorme dano à estratégia política do presidente. O governo usou a máquina, distribuindo cargos e verbas. Fechou com partidos do centrão e deixou o PSDB de lado. Temer articulou diretamente a reação. Falou por telefone e recebeu pessoalmente dezenas de deputados.
Ao contrário da presidente Dilma, Temer conhece o Congresso e mostrou poder de reação na hora em que precisava. Ganhou fôlego.
Mas foi uma derrota pontual a marcação para 2 de agosto da votação para o plenário da Câmara analisar o parecer da CCJ. O governo queria votar na próxima segunda-feira. Estava tentando convencer o presidente da Câmara a abrir a sessão para discutir o tema com a presença da maioria absoluta dos 513 deputados. Ou seja, com 257 deles em plenário.
Rodrigo Maia não topou. Insistiu que o número para debater o tema é um quórum qualificado de 342 deputados, dois terços da Câmara. O governo, então, mudou de estratégia. Passou a dizer que a responsabilidade para atingir o quórum é também da oposição.
Se a oposição obstruir e não aparecer, o Palácio do Planalto considera que o tema pode ficar engavetado. Mas o mais provável é que haja o embate no dia 2 de agosto e uma decisão seja tomada. Não interessa ao governo deixar esse tema insepulto.
Hoje, a tendência é vitória de Temer, salvo um fato novo que cause impacto na estratégia do governo. Sempre que o governo ganha fôlego, surge uma notícia negativa para administrar.
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