Por 15 votos a 5, golpe avança no Senado
Senadores da comissão especial de impeachment aprovaram, sem surpresas, o relatório de Antonio Anastasia (PSDB-MG), favorável ao afastamento da presidente Dilma Rousseff; próximo passo, no dia 11 de maio, é a votação no plenário do Senado, que, caso aprove o parecer, afastará Dilma por 180 dias da presidência da República, dando lugar ao vice, Michel Temer; na sessão de hoje, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) comparou o atual processo de impeachment a uma "infração de trânsito" que é punida com "pena de morte"; ela chamou os defensores do impeachment de "golpistas da Constituição"
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247 - Os senadores da comissão especial do impeachment no Senado aprovaram nesta sexta-feira 6, por 15 votos a 5, o parecer apresentado pelo relator Antonio Anastasia (PSDB-MG), favorável ao afastamento da presidente Dilma Rousseff. Com isso, o golpe avançou mais um passo no Congresso Nacional.
Durante a sessão, os líderes do PP, Ana Amélia (RS), do PSC, Eduardo Amorim (SE), do PV, Alvaro Dias (PR), do PSB, Fernando Bezerra Coelho (PE), do PMDB, Waldemir Moka, do PSD, José Medeiros (MT), do DEM, Ronaldo Caiado (GO), do Bloco Parlamentar da Oposição (PSDB-DEM-PV), Ricardo Ferraço (ES), do PTB, Zezé Perrela, do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), do PR, Wellington Fagundes, do Bloco Moderador (PTB-PR-PSC-PRB-PTC), Magno Malta, do PPS, Cristovam Buarque, e do Bloco Parlamentar Democracia Progressista (PP-PSD), Gladson Camelli, apresentaram voto favorável ao relatório.
Ao votar "não", a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) criticou os "golpistas da Constituição" e comparou o atual processo de impeachment a uma "infração de trânsito" que é punida "com a pena de morte". A senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB, também apresentou voto contrário ao relatório, assim como o líder do PDT, Telmário Mota, o líder do governo, Humberto Costa (PE), e o senador Lindbergh Farias (RJ), na condição de vice-líder do PT.
Humberto Costa havia dito mais cedo em entrevista à TV Senado que o resultado da votação já era conhecido na comissão em que os integrantes "foram escolhidos a dedo". Assista aqui.
Leia mais na reportagem da Agência Brasil:
Comissão do Senado aprova relatório a favor do impeachment de Dilma
Carolina Gonçalves e Karine Melo - A Comissão Especial do Impeachment no Senado aprovou há pouco o parecer do relator, Antonio Anastasia (PSDB-MG), favorável à admissibilidade do processo de afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Foram 15 votos a favor e cinco contra. O presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB), não votou, porque, em geral, ele só vota em caso de desempate.
O resultado, anunciado pelo presidente da comissão, senador Raimundo Lira (PMDB-PB), deverá ser lido no plenário da Casa na sessão ordinária marcada para as 14h da próxima segunda -feira (9).
A leitura marca também o começo da contagem do prazo de 48 horas para deliberação da fase de admissibilidade do processo no plenário pelos 81 senadores, o que, de acordo com o calendário votado no início dos trabalhos da comissão especial, deve ocorrer na quarta -feira (11). Assim como ocorreu na comissão especial, no plenário a votação é por maioria simples, ou seja, metade mais um dos senadores presentes. Se aprovado o parecer de Anastasia no plenário da Casa, a presidenta Dilma será notificada e imediatamente afastada do cargo por 180 dias. Com isso, quem assume é o vice-presidente Michel Temer.
No prazo de 180 dias, o impeachment deve ser aprovado pelo plenário do Senado. A votação, desta vez, será comandada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e exige votos de dois terços (54 dos 81 senadores) para a condenação.
Em caso de absolvição, a presidenta reassume o mandato de imediato. Se condenada, Dilma é automaticamente destituída e Temer assume até o fim do mandato.
Encaminhamento
Antes da decisão, senadores da base aliada e da oposição encaminharam votos em nome das bancadas. Pela Bloco da Oposição e em defesa do relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) encaminhou o voto sim.
Ao reforçar argumentos pelo impeachment, o tucano destacou que a lei tem de valer para todos, inclusive para presidentes da República. O parlamentar acrescentou que o impeachment não trata da honestidade de quem quer que seja, não julga crimes comuns, mas é um "remédio amargo" para punir o governante com seu afastamento.
O senador Zezé Perrela (PTB-MG) também defendeu o relatório de Anastasia e encaminhou o voto sim. Perrela defendeu a adoção do parlamentarismo no Brasil e justificou a defesa do impeachment "por tudo que aconteceu no país nos últimos tempos".
Perrela avaliou ser inadmissível um governo cobrar juros de 12% a 13% e emprestar para empresários, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela metade dessa taxa, segundo ele, com carência de uma década para começar a pagar. "Voto a favor dos 11 milhões de trabalhadores desempegados, voto pela esculhambação que a Lava Jato está nos mostrando", justificou.
Em defesa da presidenta, a primeira a encaminhar voto contrário à admissibilidade do processo foi a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Segundo ela , Dilma é uma presidenta "que não dá tapinha nas costas e não está afeita aos jogos da política". Ela enfrentou gente grande e corporações fortes", completou a senadora.
Ex-ministra chefe da Casa Civil de Dilma, Gleisi afirmou que Dilma desafiou as elites brasileiras ao investir em programas sociais e destacou programas do governo como o Minha Casa, Minha Vida, o Mais Médicos e o Ciência sem Fronteiras.
Ao acrescentar que a presidenta também assegurou medidas para garantir a transparência e a administração pública, Gleisi Hoffmann destacou a continuidade das investigações de corrupção que, segundo a senadora, garantiram a independência da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
O 11º senador a se pronunciar foi o líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB). Ele afirmou ter certeza de que o Senado "não faltará ao povo brasileiro". Engrossando o coro dos que apoiam a admissibilidade do processo, Cunha Lima destacou "que todo processo de impeachment é traumático e doloroso e que o processo em curso não foge à regra".
Uma das grandes defensoras da presidenta Dilma no Senado, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) encaminhou voto não ao relatório de Anastasia e disse que tomar a atitude mais fácil nem sempre é o mais justo. Vanessa voltou a falar que afastar a presidenta significa golpe e que essa discussão nunca será superada.
"Quem denuncia relata o processo. O que é isso se não um colégio eleitoral de exceção", questionou Vanessa, ressaltando que "denúncia saída da sede do PSDB e que custou R$ 45 mil não é legitima".
Veja como votou cada senador
Antonio Anastasia (PSDB-MG) – SIM
Hélio José (PMDB-DF) – SIM
Simone Tebet (PMDB-MS) – SIM
Dário Berger (PMDB-SC) – SIM
Waldemir Moka (PMDB-MS) – SIM
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) – SIM
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) – SIM
Ronaldo Caiado (DEM-GO) – SIM
Gleisi Hoffmann (PT-PR) – NÃO
Lindbergh Farias (PT-RJ) – NÃO
José Pimentel (PT-CE) – NÃO
Telmário Mota (PDT-RR) – NÃO
Fernando Bezerra (PSB-PE) – SIM
Romário (PSB-RJ) – SIM
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) – NÃO
Wellington Fagundes (PR-MT) – SIM
Zezé Perrella (PTB-MG) – SIM
Ana Amélia (PP-RS) – SIM
José Medeiros (PSD-MT) – SIM
Gladson Cameli (PP-AC) – SIM
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