Políticos cobram investigação sobre morte de miliciano e sua relação com a família Bolsonaro: 'estranhas coincidências'

Deputados e senadores destacam a possibilidade de queima de arquivo do ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega e cobram uma posição do ministro da Justiça, Sergio Moro, sobre o caso

Adriano Magalhães da Nóbrega no detalhe; Jair Bolsonaro e Sérgio Moro
Adriano Magalhães da Nóbrega no detalhe; Jair Bolsonaro e Sérgio Moro (Foto: Reprodução | Reuters)


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Por Nathalia Bignon, para o 247 - A repercussão da morte de Adriano da Nóbrega, um dos investigados no esquema de "rachadinha" do senador Flávio Bolsonaro, promete ser o assunto da vez em um Congresso Nacional recém-reaberto e cada vez mais polarizado. Morto pela polícia na manhã deste domingo (9), durante uma operação na cidade de Esplanada, na Bahia, o tema inundou as redes sociais, trazendo à tona cobranças ao governo sobre a tese de 'queima de arquivo' e também ao ministro da Justiça, Sergio Moro. 

A morte do Capitão, considerado “peça central nas relações de milicianos com a família Bolsonaro”, na opinião do vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA), precisa ser “rapidamente investigada para que o caso Marielle Franco possa ser finalmente elucidado”.  

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Já Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou que Adriano deveria ser investigado pela relação com os Bolsonaro e ressaltou que o miliciano não é investigado diretamente no caso Marielle. “A ex-mulher e a mãe do miliciano eram assessoras do Flávio Bolsonaro e estavam no esquema da rachadinha. Flávio deu medalha ao Adriano e Jair o elogiou no Congresso quando ele estava preso”, recordou. 

O fato de Adriano ter sido encontrado escondido no sítio do vereador do PSL Gilsinho da Dedé e de Eduardo Bolsonaro estar em Salvador no dia da morte de Adriano fez crescer ainda mais a hipótese de queima de arquivo. 

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“Adriano da Nóbrega, miliciano do Escritório do Crime, ligado a Flávio Bolsonaro e suspeito de envolvimento no assassinato de Marielle morreu em ‘troca de tiros’ na Bahia. É preciso investigar as circunstâncias, mas há cheiro de queima de arquivo no ar...”, afirmou Guilherme Boulos, líder do MTST e candidato à presidência pelo PSOL nas últimas eleições. 

“As estranhas coincidências que acontecem com membros da FAMILÍCIA: Eduardo Bolsonaro chegou na Bahia dois dias antes da morte de Adriano (e ainda está lá)”, apontou o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS). 

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Sâmia Bomfim, deputada pelo PSOL-SP, aproveitou as associações para exigir justiça pela morte de Marielle. “Adriano da Nóbrega era aliado do clã Bolsonaro e líder do grupo de extermínio ‘Escritório do Crime’, acusado de matar Marielle Franco. Queima de arquivo? Mais uma tentativa de obstrução da justiça? Quem mandou matar a nossa companheira? Exigimos respostas”, protestou. 

O senador Humberto Costa, do PT de Pernambuco, também lembrou que, embora estivesse foragido, o ex-policial não havia sido incluído na lista de criminosos mais procurados do país divulgada pelo ministro da Justiça, Sérgio Moro, há pouco mais de 10 dias. “Adriano da Nóbrega, que foi capitão do Bope, era miliciano. Suas contas receberam dinheiro de Queiroz, operador do esquema de rachadinha de Flávio Bolsonaro, por quem foi homenageado. Em janeiro, o Sérgio Moro excluiu da lista dos mais procurados do Brasil”. 

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Líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) questionou o fim dos testemunhos capazes de esclarecer os mandantes da morte da vereadora carioca. “ Adriano Nóbrega morre e desencadeia um sentimento de revolta em todos que se perguntam: Quem mandou matar Marielle? Até quando o esquema de ligação entre milícia e políticos ficará sem resposta? Quantas tantas histórias morrem hoje com Adriano?”. 

Candidato nas últimas eleições pelo PDT, Ciro Gomes sugeriu que a conduta de Moro diante da morte de Adriano revelará seu verdadeiro papel no Governo. “Se Sérgio Moro não esclarecer cabalmente este estranhíssimo encadeamento de fatos que inequivocamente estabelece vínculos entre Bolsonaro, filhos e mulher, Queiroz, as milícias do RJ e o assassinato de Marielle e Anderson, terá se transformado em cúmplice!”, definiu. 

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Até o meio-dia desta segunda-feira 10, o ministro da Justiça não fez qualquer declaração a respeito do assassinato. Em seu Twitter, Moro anunciou a abertura de uma consulta pública sobre publicidade em programas infantis e teceu elogios ao Departamento de Operações de Fronteira (DOF) pela apreensão de armas em Ponta Porã.

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