Parlamentares ironizam guerra no PSL: "e viva a 'nova política' de Bolsonaro"
"Pensava que quando falavam em valorizar a família, era por questões morais e religiosas. Mas vemos agora que o sentido é outro...”, ironizou o líder do PDT, deputado André Figueiredo (CE). Até a bancada do partido está dividida, entre os “pró-Bolsonaro” e os “pró-Waldir”, líder do PSL na Câmara
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247 - O caos instituído no PSL, partido de Jair Bolsonaro, se tornou o assunto mais comentado do Congresso Nacional, mobilizando apostas e colecionando críticas dos parlamentares. Depois do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), assumir a liderança pesselista por alguns minutos na noite de ontem, a gravação do próprio presidente pedindo o apoio de deputados do PSL para destituir o líder do partido na Câmara, Delegado Waldir, foi o que despertou Brasília nesta quinta-feira (17).
"Estamos com 26, falta uma assinatura para a gente tirar o líder, e colocar o outro. A gente acerta. Entrando o outro agora, dezembro tem eleições para o futuro líder. A maneira como tá, que poder tem na mão atualmente o presidente, o líder aí? O poder de indicar pessoas, de arranjar cargos no partido, promessa para fundo eleitoral por ocasião das eleições, é isso que os caras têm. Mas você sabe que o humor desses caras de uma hora para a outra muda", afirmou Bolsonaro a um interlocutor desconhecido, de acordo com o jornalista Guilherme Amado, da Época.
Vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA), relembrou os escândalos das candidaturas laranjas que incidem sobre o partido e a atuação de Bolsonaro em mais um crime cometido pelo seu clã. “A pauta política do dia começa com mais um episódio do esquema laranjal do partido de Jair Bolsonaro. O próprio presidente, já suspeito de ter sido beneficiado pelo esquema do laranjal, aparece tentando subornar deputados para fazer seu filho Eduardo líder da Bancada”, criticou.
Érika Kokay, deputada federal eleita pelo PT-DF, apontou o clima de expectativa sobre os desdobramentos envolvendo a família do presidente. “Crise do PSL: Ala bolsonarista e a ligada a Luciano Bivar travam Guerra dos Tronos para definir quem vai disputar posto de liderança do partido na Câmara. Eduardo Bolsonaro perdeu liderança minutos após assumir. Hoje o dia promete ser quente no laranjal”.
O líder do PDT, deputado André Figueiredo (CE), ironizou a utilização de antigas práticas ao comentar a denúncia de suborno contra Jair Bolsonaro. “E viva a ‘nova política’ da família Bolsonaro. Partidos, para eles, não são necessários. Pensava que quando falavam em valorizar a família, era por questões morais e religiosas. Mas vemos agora que o sentido é outro...”, escreveu em suas redes sociais.
Já a deputada Sâmia Bonfim (PSOL-SP) apontou a gravidade da situação, citando os desmandos na troca de comandos do Partido e as articulações encabeçadas pelo presidente. “Tudo deve ser da maneira que Bolsonaro quer. Aqueles por quem tem desafeto são removidos ou prejudicados. Os jornais que não o seguem são atacados. Os políticos que não o obedecem tornam-se inimigos. Bolsonaro é um homem perigoso que só pensa em si mesmo. Só não vê quem não quer”, declarou.
O novo escândalo é comentado até mesmo por integrantes da Bancada do PSL, que agora se dividem entre os “pró-Bolsonaro” e os “pró-Waldir”. A deputada federal Carla Zambelli (SP), atualmente cotada como a próxima expulsão do partido, junto com Bibo Nunes (RS) e Alê Silva (MG), tentou esclarecer a situação em seu Twitter. “Atenção: Depois que protocolamos a indicação do Eduardo Bolsonaro para líder do PSL, o grupo pró-Waldir protocolou outra para mantê-lo na liderança. Mas, em seguida, protocolamos uma outra lista pró-Eduardo. É esta última que está valendo. Eduardo é o líder do PSL”, escreveu sem, no entanto, aclarar o imbróglio político.
Nos bastidores, DEM e PSL têm debatido uma possível fusão, acordo que deve avançar se Jair Bolsanaro deixar o partido.
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