O Congresso vai se render à intimidação militar de Bolsonaro?

Aprovar a restituição do voto impresso, no dia em que estará cercado de tanques, lança-mísseis e veículos blindados das Forças Armadas, será o pior sinal possível para a democracia brasileira

(Foto: Alexandre Manfrim - ABr)


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Agenda do Poder - O povo brasileiro vai saber daqui a pouco, ao longo do dia de hoje, se o Congresso Nacional se submeterá à intimidação do presidente da República, que decidiu usar as Forças Armadas para constranger o Legislativo e levá-lo a aprovar a reintrodução do voto impresso nas eleições, ou se terá consciência de seu papel e dará uma resposta firme às ameaças golpistas, rejeitando a emenda constitucional que representa um enorme retrocesso.

Aprovar a restituição do voto impresso, no dia em que estará cercado de tanques, lança-mísseis e veículos blindados das Forças Armadas, será o pior sinal possível para a democracia brasileira. Será inevitavelmente interpretada como submissão irreversível, num momento em que se deve esperar um gesto de grandeza das instituições que têm o dever de proteger o estado democrático de direito.

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O Estadão, por meio da colunista Eliane Cantanhêde, desmente hoje, com chamada de primeira página, o frágil argumento do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, segundo o qual o desfile militar extemporâneo em torno do Congresso, com parada prevista diante do prédio do STF, seja apenas uma “trágica coincidência”. Segundo o jornal, o ato de intimidação é deliberado e foi decidido na sexta-feira, pelo próprio presidente da República, após a derrota da emenda constitucional do voto impresso na comissão especial que examinou preliminarmente a proposta. Ou seja: Bolsonaro convocou o desfile militar no mesmo dia em que Artur Lira anunciava a votação da PEC em plenário, para criar um ambiente de pressão sobre os parlamentares.

Algum resultado já obteve com sua atitude. Enquanto o presidente do |STF, Luiz Fux, recusava convite de Bolsonaro para assistir à parada militar, o ministro Dias Tofolli negou, no fim do dia, recurso da oposição que pediu a suspensão do desfile de tanques, para evitar a suposta coincidência, alegando que tal decisão caberia ao STJ. Eximiu-se, assim, de tomar posição.

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O golpismo de Bolsonaro criou uma situação de instabilidade política perigosa. A primeira reação já foi adotada: senadores e deputados de oposição decidiram se postar, juntos, diante do Congresso Nacional no momento em que o desfile militar estiver ocorrendo, em ato de denúncia, repúdio à intimidação e defesa da democracia.

A madrugada de hoje já registrou a chegada dos veículos militares ao Distrito Federal.

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