MPF denuncia ex-presidente do Carf e sua filha

O MPF-DF enviou à Justiça ação penal contra o ex-presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) Edison Pereira Rodrigues e a filha dele, também ex-conselheira do Carf, Meigan Sack Rodrigues, por tráfico de influência e patrocínio de interesse privado; segundo as investigações, pai e filha atuaram de forma dissimulada em defesa dos interesses da empresa TOV Corretora de Câmbio Títulos e Valores Mobiliários LTDA; os processos supostamente manipulados somam R$ 154,4 milhões, cobrados pela Receita Federal e referentes a suposta sonegação de tributos da TOV

O MPF-DF enviou à Justiça ação penal contra o ex-presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) Edison Pereira Rodrigues e a filha dele, também ex-conselheira do Carf, Meigan Sack Rodrigues, por tráfico de influência e patrocínio de interesse privado; segundo as investigações, pai e filha atuaram de forma dissimulada em defesa dos interesses da empresa TOV Corretora de Câmbio Títulos e Valores Mobiliários LTDA; os processos supostamente manipulados somam R$ 154,4 milhões, cobrados pela Receita Federal e referentes a suposta sonegação de tributos da TOV
O MPF-DF enviou à Justiça ação penal contra o ex-presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) Edison Pereira Rodrigues e a filha dele, também ex-conselheira do Carf, Meigan Sack Rodrigues, por tráfico de influência e patrocínio de interesse privado; segundo as investigações, pai e filha atuaram de forma dissimulada em defesa dos interesses da empresa TOV Corretora de Câmbio Títulos e Valores Mobiliários LTDA; os processos supostamente manipulados somam R$ 154,4 milhões, cobrados pela Receita Federal e referentes a suposta sonegação de tributos da TOV (Foto: Leonardo Lucena)


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Brasília 247 - O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) enviou à Justiça, nessa terça-feira (31) mais uma ação penal contra acusados de manipular julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Os denunciados são o auditor fiscal aposentado e ex-presidente do tribunal administrativo, Edison Pereira Rodrigues e a filha dele - também ex-conselheira do Carf - Meigan Sack Rodrigues. O pedido é para que os dois sejam condenados por tráfico de influência e patrocínio de interesse privado perante a Administração Fazendária.

A Operação Zelotes foi deflagrada em março do ano passado e, inicialmente, apurava o pagamento de propina a conselheiros do Carf para que multas aplicadas a empresas, entre bancos, empreiteiras e montadoras, fossem canceladas ou reduzidas ou anuladas. Em outubro do mesmo ano, a Zelotes também descobriu indícios de venda de Medidas Provisórias (MP) que prorrogavam incentivos fiscais a empresas do setor automotivo.

De acordo com as investigações, Edison Pereira Rodrigues e a sua filha atuaram de forma dissimulada em defesa dos interesses da empresa TOV Corretora de Câmbio Títulos e Valores Mobiliários LTDA. Um contribuinte é autor de dois Procedimentos Administrativos Fiscais por meio dos quais questionou autuações impostas pela Receita Federal no valor total de R$ 154,4 milhões. Os créditos cobrados pelo fisco se referem à sonegação de tributos como Imposto de Renda, PIS/Cofins e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

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As investigações apontaram que pai e filha selecionavam clientes com passivos tributários milionários ou até bilionários no Carf. Em seguida, procuravam esses contribuintes, a quem ofereciam soluções favoráveis mediante a divulgação do poder de influência que afirmavam ter junto ao tribunal. Eles também garantiam a atuação formal nos processos por meio de outros advogados, uma estratégia para ocultar a condição de Meigan, uma potencial julgadora dos respectivos recursos. Na denúncia, os investigadores classificaram a medida como “terceirização da atuação advocatícia”. Pela mesma prática, os dois foram denunciados em outra ação penal ajuizada pela Força Tarefa da Zelotes, no fim de 2015. 

Segundo a denúncia, em fevereiro de 2013, Edison e Meigan fecharam um contrato de prestação de serviços com a Corretora. O negócio foi feito por meio do escritório Rodrigues Advogados Associados, de propriedade de ambos, e rendeu à dupla, pelo menos, R$ 100 mil pagos no dia seguinte à contratação. O problema é que, embora sejam advogados, nem Edison e nem Meigan praticaram um único ato processual, ou seja, não assinaram documentos anexados ao recurso.

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Em vez deles, a atuação formal foi feita por outros profissionais. Na ação, os procuradores Frederico Paiva e Hebert Mesquita listam os nomes de cinco advogados que foram os responsáveis por atos como sustentação oral e apresentação de embargos. No entanto, a análise de materiais apreendidos em operações de buscas e apreensões e da interceptação de mensagens eletrônicas permitiram aos investigadores ter acesso a provas de que foi Meigan – então conselheira do Carf - a responsável pela elaboração de peças apresentadas ao tribunal.

Na ação, os procuradores frisam que a atuação criminosa iniciada em fevereiro de 2013 se prolongou pelo menos até dezembro de 2014 e está amplamente comprovada por meio do material apreendido durante a fase preliminar da apuração. Merece destaque a descoberta de mensagens ora enviadas ao cliente, ora à filha, em que Edison sustenta o suposto poder de influência. Em uma delas, o acusado diz à Meigan: “teve um conselheiro dos contribuintes que votou contra, tem que saber quem é esse traíra”.

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Mesmo após perder no primeiro julgamento, a dupla continuou prometendo ao cliente resultados positivos. Em novembro de 2014, por exemplo, em contato com um funcionário da empresa, Meigan faz outra promessa: a de “cavar” um novo recurso para adiar o julgamento. De novo, o documento elaborado por ela, foi assinado por outro advogado, reforçando a suspeita de atuação irregular.

*Com MPF-DF

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