Maia fica em cima do muro sobre racismo e censura a Latuff na Câmara

Sobre a recolocação da placa destruída na exposição, como foi pedido pelo cartunista, o presidente da Câmara disse que está avaliando o caso com a diretoria responsável pela exposição. “Vamos ver se se consegue encontrar um caminho no qual se respeite o trabalho do artista e valorize nossa polícia”

Oito anos após ser quase varrido da cena política, DEM tenta retomada
Oito anos após ser quase varrido da cena política, DEM tenta retomada (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


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247, com informações da Agência Brasil - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi superficial e ficou em cima do muro ao comentar a possibilidade de se colocar de volta na exposição sobre o Dia da Consciência Negra a placa que continha uma charge do cartunista Carlos Latuff e que foi destruída nesta terça-feira 19 pelo deputado Coronel Tadeu (PSL).

Em entrevista ao 247 nesta quarta-feira 20, Latuff cobrou uma iniciativa de Maia para que o quadro fosse recolocado na exposição. "O mínimo que se espera do Congresso Nacional, na pessoa de Rodrigo Maia, é que essa charge volta à exposição, porque, se isso não acontecer", diz o artista, "a censura estará institucionalizada"

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A mostra apresenta a história de diversas personalidades negras do país e está montada no túnel que faz ligação entre as comissões e o plenário principal. A placa tem uma charge do cartunista Carlos Latuff, com um policial de costas com revólver na mão e um jovem negro caído no chão com a legenda 'O genocídio da população negra'. Sob o argumento de que o conteúdo ofendia o trabalho dos policias militares, o deputado gravou um vídeo destruindo a placa e foi alvo de críticas.

Rodrigo Maia condenou a violência e afirmou que o gesto não pode virar um precedente para outros atos semelhantes, porque desrespeita a livre manifestação artística na Câmara. “Estamos vendo uma solução para esse problema. É lamentável, [ocorrer em] uma exposição que a Câmara autorizou. Uma coisa é fazer uma crítica a uma peça e chegar à conclusão de que ela não está no lugar adequado, outra coisa é tirar essa peça com violência. Então, a gente tem que encontrar um caminho para encerrar esse episódio para que não se repita”, disse.

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Sobre a recolocação da placa na exposição, o presidente da Câmara disse que está avaliando o caso com a diretoria responsável pela exposição. “Vamos ver se se consegue encontrar um caminho no qual se respeite o trabalho do artista e valorize nossa polícia. Não devemos generalizar, porque, quando se generaliza contra a política, a gente não gosta, então não deve generalizar a PM [Polícia Militar], mas também não deve generalizar a violência contra as exposições livres”, ponderou.

Mais tarde, o líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), ao falar sobre o episódio, disse que os policiais militares são alvo de preconceito. “Fazer uma generalização de que todos os policiais contribuem para a morte de negros no Brasil é uma visão parcial do problema e, certamente, tão preconceituosa quanto o racismo.”

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Na avaliação de Vitor Hugo, Coronel Tadeu fez, com seu gesto, uma defesa dos policiais militares. “Nós entendemos a atitude do Coronel Tadeu como uma defesa dos policiais militares e dos profissionais de segurança pública. É ter preconceito com um grupo de brasileiros que expõem suas vidas todos os dias em prol do restante da sociedade”, afirmou.

*Colaborou Marcelo Brandão

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