Jovens morrem em batida e MP apura conduta de PMs
O Ministério Público investiga as circunstâncias que envolveram a gravação dos vídeos nos quais supostos membros da PM-DF o debocham de vítimas de um acidente de trânsito, enquanto elas agonizam no asfalto; homens que não aparecem nas imagens falam "você não rouba, desgraça?", "assume o papel de homem" e "morre com dignidade" (sic); os pais das vítimas dizem que houve omissão de socorro e chegaram a fechar a rodovia em protesto contra a polícia; a apuração deve levar 60 dias
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Brasília 247 - O Ministério Público investiga as circunstâncias que envolveram a gravação dos vídeos, no último domingo (15), nos quais supostos membros da Polícia Militar (PM-DF) o debocham de vítimas de um acidente de trânsito, enquanto elas agonizam no asfalto. Homens que não aparecem nas imagens falam "você não rouba, desgraça?", "assume o papel de homem" e "morre com dignidade" (sic). A apuração deve levar 60 dias.
Após uma perseguição policial, cinco adolescentes morreram na BR-020. No acidente, o motorista de outro veículo também morreu. Os garotos, que ocupavam um carro com placa clonada, desobedeceram a ordem de parada de uma equipe da PM em Planaltina. Depois, furaram bloqueios da Polícia Rodoviária Federal e da PM de Goiás e colidiram contra outro carro na entrada de Formosa.
De acordo com relatos dos pais das cinco vítimas, que tinham entre 12 e 18 anos, três morreram na hora da batida. Outro dois adolescentes foram alvos de ofensas enquanto tentavam se mexer. Os pais dizem que houve omissão de socorro e chegaram a fechar a rodovia nesta quinta em protesto.
Segundo o promotor Nísio Tostes, não há dúvidas de que os policiais não teriam contribuído para o acidente, mas critica a postura adotada por supostos agentes de segurança pública após a colisão. "Na realidade o que choca são as palavras que são pronunciadas", disse. Ele diz que vai requerer ao Corpo de Bombeiros e ao Samu detalhes sobre os pedidos de socorro, para saber se houve omissão em algum momento.
Toestes afirma que "o grande problema ali são as palavras que foram pronunciadas em uma situação que é lamentável para todos os lados". "O que aconteceu ali não é o que preconiza a Polícia Militar, não é o que deveria ter acontecido. Independentemente de quem está ali, criminoso ou pessoa de bem, a pessoa que está atendendo não deve usar as expressões que surgiram naquela filmagem", acrescentou.
Em nota, a PM-DF informou ao G1 que apura se as falas registradas pertencem a um membro da corporação – a perseguição, diz, também contou com policiais de Goiás. A PM trabalha ainda com a possibilidade de as falas terem sido ditas por supostos curiosos que pararam para ver o acidente.
"Todo policial é formado para servir e proteger a sociedade, como sempre fizemos. Este tipo de atitude isolada que denigre a imagem da corporação não será aceita", disse a PM do DF. A polícia de Goiás também afirmou vai investigar o caso e disseque as imagens não permitem a obtenção de informações conclusivas.
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