Governadores do PSB prometem a Dilma apoio para manter vetos

Ricardo Coutinho, da Paraíba; Rodrigo Rollemberg, do Distrito Federal; e Paulo Câmara, de Pernambuco, fazem parte da "ala moderada" do partido, que defende aproximação com o governo, mas têm de enfrentar bancada do Congresso, que prefere a postura oposicionista; reunidos hoje com a presidente Dilma no Planalto, os três receberam pedido de ajuda na articulação com os parlamentares da legenda para manter os vetos a matérias consideradas 'pautas-bombas'; e prometeram apoio

Ricardo Coutinho, da Paraíba; Rodrigo Rollemberg, do Distrito Federal; e Paulo Câmara, de Pernambuco, fazem parte da "ala moderada" do partido, que defende aproximação com o governo, mas têm de enfrentar bancada do Congresso, que prefere a postura oposicionista; reunidos hoje com a presidente Dilma no Planalto, os três receberam pedido de ajuda na articulação com os parlamentares da legenda para manter os vetos a matérias consideradas 'pautas-bombas'; e prometeram apoio
Ricardo Coutinho, da Paraíba; Rodrigo Rollemberg, do Distrito Federal; e Paulo Câmara, de Pernambuco, fazem parte da "ala moderada" do partido, que defende aproximação com o governo, mas têm de enfrentar bancada do Congresso, que prefere a postura oposicionista; reunidos hoje com a presidente Dilma no Planalto, os três receberam pedido de ajuda na articulação com os parlamentares da legenda para manter os vetos a matérias consideradas 'pautas-bombas'; e prometeram apoio (Foto: Gisele Federicce)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Por Hylda Cavalcanti, da Rede Brasil Atual – Os governadores do PSB que são contrários à decisão do partido de deixar de ser independente para se formalizar como oposição, Paulo Câmara (Pernambuco), Ricardo Coutinho (Paraíba) e Rodrigo Rollemberg (Distrito Federal), deram mais um passo no sentido de aproximação com o Palácio do Planalto hoje (30).

O trio foi chamado para uma reunião com a presidenta Dilma Rousseff, na qual ela pediu para que passassem a atuar como interlocutores junto à bancada da legenda neste momento difícil para que o ajuste fiscal seja aprovado. Dilma também pediu para que eles insistam com os parlamentares da sigla para votarem pela aprovação dos vetos a matérias consideradas "pautas-bomba", em sessão programada para se realizar hoje.

Embora sabendo que é forte entre os deputados e senadores do PSB no Congresso o interesse de fazer com que a sigla passe a ser oposicionista, segundo assessores que participaram da conversa, os governadores demonstraram concordar com a aprovação dos vetos e disseram que vão procurar formas de ajudar o Executivo para ajudar na situação econômica do país. Mas uma das expectativas que vinha sendo comentada nos bastidores, de que fosse oferecido por Dilma, de volta à sigla, o Ministério da Ciência e Tecnologia (que antes pertencia ao PSB), num possível retorno do PSB à base aliada, não foi tratado no encontro.

continua após o anúncio

A situação, no entanto, é de impasse, já que apesar das divergências entre o grupo do Congresso e o que é capitaneado pelos três governadores, a legenda já começa a evitar falar no assunto antes de tomar uma decisão colegiada – a partir de reunião da executiva, programada para se realizar em 15 de outubro. O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira (que é um dos mais enfáticos no discurso oposicionista), já recua em suas declarações e afirma que mesmo sem fazer parte da base aliada eles podem vir a ajudar o governo "caso a presidenta apresente uma proposta para tirar o país da crise".

Situação dos estados

continua após o anúncio

Nas entrelinhas, a briga interna no PSB tem outro foco: a situação crítica dos estados de Pernambuco, Paraíba e o Distrito Federal, grandes concentrações eleitorais da legenda, onde os governadores sentem os efeitos da crise econômica e tendem a sofrer desgaste nas próximas eleições junto à população. O DF, por exemplo, enfrentou uma greve geral na última semana, que promete ser repetida pelos servidores nos próximos dias, diante de atrasos de pagamentos de salários e aumentos de impostos anunciados como forma de conter o déficit do governo.

O governador Rodrigo Rollemberg, que antes de assumir era senador, é tido no Congresso como um dos negociadores da sigla com o Palácio do Planalto, mesmo nos momentos de maior embate do PSB com o governo. Rollemberg tem feito pedidos ao governo federal para liberar recursos que ajudem a situação da sua gestão.

continua após o anúncio

Câmara, que é hoje o vice-presidente nacional do PSB, disse, pouco antes de viajar a Brasília, que se depender dele, a legenda deve se unir "em torno dos interesses nacionais, deixando de lado as questões políticas e partidárias".

"O que tenho colocado para a presidenta Dilma e também para nossa bancada é que precisamos nos unir para reunir condições a fim de que o Brasil volte a funcionar. É um desafio muito grande e nós temos que ter sensibilidade neste momento", ressaltou, acrescentando que "a crise é gravíssima".

continua após o anúncio

'Sem irresponsabilidades'

Uma das alternativas que tem sido proposta pelos governadores é de que a legenda continue como se encontra, atuando com independência e sem ligações mais fortes com o governo, mas sem a pecha de oposicionista. É uma posição difícil, uma vez que parte dos integrantes da bancada no Congresso afirma textualmente que apoia o pedido de impeachment de Dilma, ao lado das bancadas da oposição, como DEM e PSDB.

continua após o anúncio

Para Paulo Câmara, "o PSB não pode fazer uma oposição irresponsável". O governador, que ao lado dos colegas de partido saiu do encontro sem falar com os jornalistas, antecipou que levaria para a presidenta alternativas comuns aos estados nordestinos, como operações de crédito para obras hídricas e propostas na área de saúde.

"Vamos procurar ouvi-la (Dilma) e também trazer sugestões. Vou aproveitar para levar a pauta que acho importante tanto para o Nordeste como para o Brasil. Tem a questão das operações de crédito que ela já sinalizou para 2016, a saúde, desafio de qualquer governante, e também queremos discutir recursos hídricos, já que tudo indica que vamos para o quinto ano de seca em 2016", destacou em Recife.

continua após o anúncio

Contatos diretos

Os contatos entre PT e PSB, no entanto, estão sendo feitos há duas semanas e não têm previsão de acabar. O primeiro deles foi por meio de um encontro entre o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira.

continua após o anúncio

Uma segunda reunião teria acontecido, de acordo com um secretário do Governo do Distrito Federal, entre o governador Rodrigo Rollemberg e o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. E o de hoje é coordenado pela própria presidenta.

Ou seja: oficialmente, sabe-se que a pauta da reunião foi a discussão de questões nordestinas e formas de os governadores ajudarem o Executivo federal a superar a crise econômica, com medidas que também os ajudarão e o apoio desses governantes, reforçado junto às bancadas dos seus estados na Câmara e no Senado, para a manutenção dos vetos presidenciais. Na prática, o que foi discutido nesse "acordo implícito" pode vir a ter consequências políticas bem mais amplas.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247