Festival Latinidades começa com debate sobre racismo

Criado em 2008 para comemorar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o evento, que é o maior festival de mulheres negras da América Latina, começa nesta quarta-feira 22 em Brasília e vai até domingo 26; o tema deste ano é Cinema Negro, e a ideia é debater o protagonismo e a representação das mulheres negras no cinema, além de políticas públicas no setor audiovisual

Começa nesta quarta -feira (22) e vai até domingo (26) a oitava edição do Festival Latinidades, maior festival de mulheres negras da América Latina (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Começa nesta quarta -feira (22) e vai até domingo (26) a oitava edição do Festival Latinidades, maior festival de mulheres negras da América Latina (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)


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Marieta Cazarré - Repórter da Agência Brasil

O Festival Latinidades, criado em 2008 para comemorar o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, é o maior festival de mulheres negras da América Latina. O evento começa hoje (22) em Brasília e vai até domingo (26). O tema deste ano é Cinema Negro, e a ideia é debater o protagonismo e a representação das mulheres negras no cinema, além de políticas públicas no setor audiovisual. Organizado pelo Instituto Afrolatinas, o evento tem patrocínio da Petrobras e do Fundo de Apoio à Cultura. Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha é comemorado a 25 de julho.

A programação é vasta e abrange performances, sessões de filmes, conferências, exposições, oficinas e shows. O festival ocupa a sala, o foyer e a área externa do Cine Brasília. Hoje, às 18h30, a Organização das Nações Unidas (ONU) lança a Década Internacional dos Afrodescendentes, em solenidade que terá a participação da ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Nilma Lino Gomes, e do coordenador do Sistema ONU no Brasil, Jorge Chediek. Às 21h30, haverá show da cantora Elza Soares.

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Todos os eventos, exceto os filmes, serão traduzidos na língua brasileira de sinais (Libras), ao vivo, para pessoas com deficiência. O local do Latinidades é acessível a cadeirantes. Faz parte do evento o projeto Latinidade Sustentável, que traz, entre outras ações, bicicletário com iluminação e segurança durante todo o evento, linha de ônibus para o trecho da Rodoviária ao Cine Brasília, coleta seletiva de lixo, varal social, para troca de roupas usadas e oficinas artísticas. Um ônibus ficará estacionado na área para recolher o lixo eletrônico descartado.

O tema da mesa de abertura foi Cultura e Educação: Interações no Combate ao Racismo e na Valorização de Identidades Negras. Participaram da discussão a presidenta da Fundação Palmares, Cida Abreu, a yalorixá e musicista Mãe Beth de Oxum, e a coordenadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades, Cida Bento.

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Elas falaram sobre a importância do cinema na construção de sonhos e histórias de identificação e no reconhecimento da população negra brasileira. "A formação da identidade é um cruzamento entre algo que trazemos, que é nosso, e algo que vem de fora", disse a psicóloga Cida Bento. "Trazemos não só desta vida, mas da nossa ancestralidade. Essa identidade se constrói a partir do toque, do contato físico, dessa sensação de pertencimento a um grupo", ressaltou.

Outro tema abordado foi como a tradição oral e outras práticas culturais negras são fundamentais na transmissão de conhecimento. As participantes da mesa de abertura falaram também sobre a importância da mobilização das famílias e dos professores da educação infantil no combate ao racismo e na promoção da cultura negra, respeitando seus trajes, penteados, danças e músicas.

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Mãe Beth de Oxum emocionou o público ao cantar e defender as manifestações culturais de Pernambuco. Ela falou também sobre a proposta de redução da maioridade penal. Para Mãe Beth, o jovem não pode ser criminalizado, uma vez que o Estado não cuida dele. "A gente está pautando o genocídio da população negra e mostrando como esse projeto é perverso e racista. Jogar todo mundo numa vala comum, que não melhora ninguém, não é a solução", afirmou.

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