'Farsa da política ficou clara para o povo em 2015'

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) definiu 2015 como "o ano da descoberta", em que os brasileiros tomaram conhecimento da extensão da gravidade de problemas que já davam sinais em anos anteriores, como a crise econômica, a corrupção e o descrédito dos políticos; segundo o parlamentar, o Brasil de hoje é exatamente o oposto do propalado na campanha de 2014, que era o país das tarifas baixas; ele disse, também, que os marqueteiros têm sido mais importantes nas disputas eleitorais do que os candidatos; "Isso é uma... não vou dizer depravação, porque é uma palavra incômoda... deturpação muito forte do processo político"

Em discurso na tribuna do Senado, senador Cristovam Buarque (PDT-DF)
Em discurso na tribuna do Senado, senador Cristovam Buarque (PDT-DF) (Foto: Leonardo Lucena)


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Agência Senado - O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) definiu 2015 como "o ano da descoberta", em que os brasileiros tomaram conhecimento da extensão da gravidade de problemas que já davam sinais em anos anteriores, como a crise econômica, a corrupção e o descrédito dos políticos. Em pronunciamento no Plenário, nesta sexta-feira (18), Cristovam disse que o Brasil de hoje é exatamente o oposto do propalado na campanha de 2014, que era o país das tarifas baixas.

Cristovam apontou como sinais de problemas em anos anteriores os gastos excessivos em atividades sem capacidade de dinamizar a economia. De acordo com o senador, só há duas maneiras de gastar sem ter dinheiro: endividando-se, como o Brasil vinha fazendo, ou gerando inflação, o que acontece no momento. Para ele, são bolhas de gastos sem lastro, em que "um dia alguém mete um alfinete e estoura".

– Nós descobrimos em 2015, mas já estava latente desde 2011 - afirmou.

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Outra descoberta, conforme o parlamentar, é a manipulação eleitoral. Para ele, os políticos confundem palanque, "que deveria ser o lugar da verdade e do compromisso", com o palco, "que é o espaço da mentira e da farsa". Cristovam apontou os marqueteiros como diretores teatrais do processo eleitoral.

– No Brasil, os nomes dos marqueteiros têm sido mais importantes nas disputas presidenciais do que os nomes dos candidatos. Isso é uma... não vou dizer depravação, porque é uma palavra incômoda... deturpação muito forte do processo político - disse ele.

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Para o senador, "o marqueteiro deveria existir para sabonete, roupa, televisão, carro, não para políticos". Se for preciso alguma ajuda de assessoria, acrescentou, "que ninguém saiba nem o nome, de tão discreto que deve ser o trabalho". Mas não é o caso brasileiro, na avaliação do senador.

– No nosso caso brasileiro hoje, o marqueteiro é o diretor teatral da farsa eleitoral. Isso gera uma manipulação. Quem é eleito é quem é capaz de mentir com mais competência graças ao diretor por trás dele fazendo os programas eleitorais. Tem de acabar com esses programas eleitorais! - defendeu.

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A teatralização da política ou a política cinematográfica, segundo Cristovam, colocou em pauta um Brasil que não é real e propôs um Brasil que não é possível. Com a descoberta, o resultado apontado pelo senador é a descrença do eleitor com os políticos.

Cristovam disse esperar que 2016 seja um ano que marque o início da reconstrução, que considerou um trabalho para décadas. Para o senador, o Brasil não vive apenas um crise, "que poderia ser superada em dois ou três anos", mas uma decadência em todas as áreas, processo que levará anos para ser revertido.

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