Fala de Bolsonaro sobre ambientalistas é execrada na internet: “Bolsonaro adora campos de concentração”

Declaração de Bolsonaro, que afirmou que ‘se pudesse, confinaria ambientalistas na Amazônia’, durante a assinatura do Projeto de Lei que prevê regulamentação da mineração em terras indígenas, provocou reações de parlamentares e muitos internautas nas redes sociais

(Foto: PR | Reuters)


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Nathalia Bignon, para o 247 - Jair Bolsonaro voltou a causar polêmica no fim desta quarta-feira (5), ao afirmar que ‘se pudesse, confinaria ambientalistas na Amazônia’ durante a assinatura do Projeto de Lei que prevê a regulamentação da mineração e exploração de recursos em terras indígenas. O texto, que será enviado ao Congresso, provocou reações de parlamentares e muitos internautas nas redes sociais.

Única indígena com mandato na Câmara dos Deputados, Joenia Wapichana (Rede-RR) recordou as tragédias de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, para apontar a inviabilidade do projeto. “Mineração em terras indígenas é ilegal e inconstitucional. O Brasil tem dois exemplos de tragédia com a mineração. Exemplos de destruição, impunidade e falta de fiscalização. Mineração só trás poluição e morte. Não queremos a morte dos rios, da floresta e dos povos indígenas”, afirmou.

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Rogério Correia (PT-MG) também fez menção às tragédias ocorridas em seu estado para rejeitar a proposta. “O que o energúmeno quer é entregar a Amazônia para as grandes empresas capitalistas explorarem matéria-prima e extrair lucro fácil e direto. Nós, mineiros, sabemos do que se trata”, disse.

Também em apoio ao veto do projeto, Talíria Petrone (PSOL-RJ) ainda apontou outro risco atrelado à aprovação da matéria. “Bolsonaro apresentou um projeto que regulamenta a exploração mineral e energética em terras indígenas, sem consulta aos povos. Um total desrespeito. Com certeza irá acirrar a disputa por terras, aprofundando o genocídio indígena. Não podemos aceitar”.

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Já o líder do PSOL na Câmara, deputado Ivan Valente (SP), voltou a relacionar o presidente com a ideologia de extrema direita e recordou o caso de Roberto Alvim, ex-secretário de Cultura, demitido após divulgar um vídeo de cunho nazista. “Além do absurdo de violar a Constituição e tentar legalizar mineração em terras indígenas, Bolsonaro ainda sugere confinar ambientalistas na Amazônia. Como se vê, o nazista que saiu da Secretaria da Cultura não era caso isolado. Ele gosta de campos de concentração”, apontou.

Vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA) classificou como ‘patológico’ o perfil de Bolsonaro. “Manifestação clara de desejo: perseguir, prender, confinar. Autoritarismo patológico”, definiu.

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Nilto Tatto, do PT de São Paulo, preferiu ironizar a megalomania do mandatário. “Bolsonaro pensa que é dono do país. Quer agora confinar opositores”. Colega de sigla, Reginaldo Lopes (MG) preferiu lembrar que esta não foi a única declaração polêmica da quarta-feira. “No mesmo dia, disse que uma pessoa com HIV ‘é uma despesa para todos'. Um presidente não deveria querer confinar ninguém e nem considerar alguém como uma ‘despesa’. É de se lamentar!”, citando mais uma fala de Bolsonaro.

Os mesmos episódios foram lembrados pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES). “Mais cedo foi desrespeitoso e agressivo com pessoas que tem HIV; agora, irônico com ambientalistas. Antes, tentou fazer vistas grossas para um secretário de Cultura que fez discurso nazista. Impossível a pacificação do país com esse presidente!”, criticou.

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Na web, as reações foram do medo ao escracho. “Adolf Hitler começou seu ‘governo’ assim, depois ‘foi atrás’ dos Judeus, segregando-os, e teve início o horripilante e inenarrável holocausto. Acorda Brasil!”, clamou uma. “Confinar ambientalistas na Amazônia? Tudo bem, desde que se confine todos os milicianos e seus apoiadores num presídio. Talkei?”, disse um internauta, ironizando o cacoete do presidente.

Outro foi mais enfático. “Confinar ambientalistas na Amazônia. Confinar jornalistas num curral, sem direito a perguntas. Confinar cientistas sem poder viajar. Bolsonaro adora campos de concentração - do seu jeito”.

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