Ex-ministros de Dilma garantem que decretos não geraram novas despesas

Em depoimento à Comissão Especial do Impeachment, os ex-ministros Pepe Vargas e Miriam Belchior defenderam a adequação legal e fiscal dos decretos orçamentários de 2015 que integram a denúncia contra Dilma Rousseff; para os ex-ministros, nenhuma despesa nova foi criada a partir deles

Brasília - A ex-ministra do Planejamento e ex-presidente da Caixa, Miriam Belchior e o relator Antonio Anastasia, durante Comissão Especial do Impeachment (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Brasília - A ex-ministra do Planejamento e ex-presidente da Caixa, Miriam Belchior e o relator Antonio Anastasia, durante Comissão Especial do Impeachment (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Roberta Namour)


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Por Agência Senado

A Comissão Especial do Impeachment ouviu nesta terça-feira (21) os ex-ministros Pepe Vargas e Miriam Belchior, que testemunharam pela defesa no processo contra a presidente afastada Dilma Rousseff. Ambos defenderam a adequação legal e fiscal dos decretos orçamentários de 2015 que integram a denúncia contra Dilma. Para os ex-ministros, nenhuma despesa nova foi criada a partir deles.

A comissão volta a se reunir nesta quarta-feira (22), a partir das 11h, para ouvir mais três testemunhas: Robson Azevedo Rung, coordenador-geral de Tecnologia e Informação da Secretaria de Orçamento Federal; Luiz Antonio de Souza Cordeiro, secretário de Organização Institucional do Ministério da Defesa; e Luciano Carlos de Almeida, representante da Justiça do Trabalho.

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Ministros

Pepe Vargas, que hoje é deputado federal (PT-RS), foi ministro da Secretaria de Direitos Humanos em 2015. Dois dos decretos investigados beneficiaram os Fundos Nacional do Idoso e dos Direitos da Criança e do Adolescente, ambos subordinados a sua pasta. Ele explicou que os aportes orçamentários referiam-se à liberação para o uso de doações, e não à criação de novas despesas.

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- As pessoas jurídicas doam mais ao fim do ano e, consequentemente, não há tempo para fazer a execução orçamentária no mesmo exercício. Então, é histórico haver esse superávit financeiro e, no exercício seguinte, é suplementado ao respectivo fundo – explicou.

Miriam Belchior foi titular do Planejamento, mas não estava no cargo no período de edição dos decretos contestados. Ela explicou como funciona o processo de elaboração e avaliação dos decretos e declarou que eles não poderiam ter afetado a meta fiscal, uma vez que são regidos pelo contingenciamento de verbas.

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- O sistema é parametrizado e identifica o modo a ser feito. De fato é um processo robusto, que passa pelas equipes técnicas e chega para a presidente assinar com confiança absoluta de que todas as exigências legais foram contempladas. Toda a execução está submetida ao contingenciamento e cada área tem limite para empenhar e para pagar.

A ex-ministra também manifestou estranhamento com o fato de o Tribunal de Contas da União (TCU) ter denunciado a metodologia dos decretos apenas em 2015, visto que ela é a mesma adotada pela administração pública federal há 15 anos.

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- Em momento algum houve um questionamento desse tipo por uma razão bem simples: porque nunca afetaram a meta – observou ela.

“Pedaladas”

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Pepe Vargas também falou sobre a equalização de taxas de juros do Plano Safra 2014/2015, enquadrada nas chamadas “pedaladas fiscais”. Ele teve contato direto com o plano como ministro do Desenvolvimento Agrário entre 2012 e 2014.

Vargas informou que os bancos utilizam recursos próprios para empréstimos aos agricultores, cabendo ao governo federal apenas cobrir a diferença entre os juros menores previstos no crédito rural e os juros praticados pelo mercado.

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- São taxas subsidiadas, em geral com os juros abaixo da inflação. Isso é devidamente normatizado pela Lei do Crédito Agrícola, de 1992, por portarias do Ministério da Fazenda e pelo Conselho Monetário Nacional, que dita o Manual de Crédito Rural —detalhou.

Sendo assim, concluiu ele, a equalização não representa operação de crédito em favor da União.

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Justiça

As outras duas testemunhas ouvidas pela comissão nesta quarta foram servidores do Ministério da Justiça, que falaram sobre créditos que beneficiaram a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Orlando Magalhães da Cunha, ex-subsecretário de Planejamento e Orçamento, e Marcelo Minghelli, da coordenação de Orçamento e Finanças, consideraram o procedimento como um instrumento de gestão “rotineiro”.

Os servidores reforçaram o entendimento de que a abertura de créditos pelos decretos escora-se no contingenciamento de outras verbas e no superávit financeiro decorrente de outras fontes. Além disso, afirmaram que o TCU sempre respaldou os procedimentos.

- Estamos baseados em precedente no qual eu estava com um cheque especial e mesmo assim aumentei o limite, e o TCU achou normal. Por isso a gente está questionando essa mudança de entendimento. É preciso segurança jurídica para essas decisões – disse Orlando Cunha.

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