Estudantes dizem que manterão ocupações apesar de decisões judiciais

Representantes dos estudantes secundaristas que ocupam escolas no Distrito Federal disseram que o movimento não recuará diante das decisões judiciais que autorizaram o uso de força policial para desocupar as instituições de ensino; decisão sobre deixar ou não as escolas caberá a cada grupo de ocupantes. No entanto, eles prometem continuar mobilizados; "Cada escola tem o seu comando e isso [desocupar] está sendo uma decisão particular", disse Francisco Franco, 17 anos, do Encontro de Grêmios e estudante do Centro de Ensino Médio do Setor Leste (CEMSL)

São Paulo - Estudantes secundaristas protestam contra a falta de merenda e as denúncias de corrupção na alimentação escolar (Rovena Rosa/Agência Brasil)
São Paulo - Estudantes secundaristas protestam contra a falta de merenda e as denúncias de corrupção na alimentação escolar (Rovena Rosa/Agência Brasil) (Foto: Paulo Emílio)


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Mariana Branco, repórter da Agência Brasil - Representantes dos estudantes secundaristas que ocupam escolas no Distrito Federal disseram hoje (2), em coletiva de imprensa no Centro Educacional Gisno, na Asa Norte, que o movimento não recuará diante das decisões judiciais que autorizaram o uso de força policial para desocupar as instituições de ensino. Segundo eles, a decisão sobre deixar ou não as escolas caberá a cada grupo de ocupantes. No entanto, eles prometem continuar mobilizados.

Uma decisão do juiz de plantão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Newton Mendes Aragão Filho, determinou, no último dia 28, o esvaziamento de todos os colégios ocupados em função da proximidade do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). Na noite de domingo (30), outra decisão, do juiz da Vara da Infância e Juventude, Alex Costa de Oliveira, para desocupação do Centro de Ensino Médio Ave Branca (Cemab), em Tatuatinga, causou polêmica.

Ao deferir o pedido de desocupação, o juiz autorizou o corte do fornecimento de água, energia e gás na escola, o uso de instrumentos sonoros contínuos para impedir o sono dos alunos e a restrição do acesso de parentes e conhecidos dos estudantes à escola, além de proibir a entrada de alimentos. O juiz recebeu críticas, mas também elogios de pessoas contrárias às ocupações.

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O Cemab foi desocupado pacificamente ontem (1°). Também já deixaram as escolas os alunos que ocupavam o Centro de Ensino Médio 304, em Samambaia, e o Centro de Ensino Médio 111 do Recanto das Emas. Atualmente, segundo balanço do Encontro de Grêmios, cinco escolas continuam ocupadas no Distrito Federal: Gisno; Centro de Ensino Médio de Taguatinga Norte (CEMTN); Centro de Ensino Médio Elefante Branco (Cemeb) e Centro de Ensino Médio Setor Oeste (CEMSO), ambos na Asa Sul e, por fim, o Centro Educacional 1 de Planaltina (Centrão).

Os estudantes que participam do movimento de ocupações protestam contra a Medida Provisória (MP) 746, que flexibiliza o currículo comum obrigatório do ensino médio no país, e contra a Proposta de Emenda Constitucional 55 (antiga PEC 241), que fixa um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. A PEC 55 já foi aprovada na Câmara e tramita agora no Senado.

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Decisão particular

"Cada escola tem o seu comando e isso [desocupar] está sendo uma decisão particular", disse Francisco Franco, 17 anos, do Encontro de Grêmios e estudante do Centro de Ensino Médio do Setor Leste (CEMSL), que não está ocupado. Franco disse que, independente de as escolas atualmente ocupadas cumprirem a ordem judicial, o movimento continuará. "Podem ser desocupadas algumas [escolas], mas outras serão ocupadas", declarou.

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O Enem está programado para os próximos sábado (5) e domingo (6). No entanto, em função das ocupações, o Ministério da Educação decidiu adiar as provas para 191 mil alunos, que só farão o exame em 3 e 4 de dezembro. Os estudantes criticaram, hoje, o adiamento. Segundo eles, trata-se de uma tática para pressioná-los.

"O MEC não se dispõe a ter um momento de conciliação. Usa o Enem como ameaça. Em Minas Gerais, houve negociação com os estudantes e o Enem vai acontecer", disse Ana Flávia Barbosa, 16 anos, aluna do Elefante Branco, sobre acordo que ainda não foi confirmado pelo MEC.

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Marcelo Vinícius, 18 anos, do Gisno, disse que os estudantes estão, inclusive, usando o tempo na ocupação para se preparar para o Enem. A escola da Asa Norte está ocupada desde segunda (31). "A gente se dividiu em grupos. Estamos limpando a escola e, hoje de manhã, teve aulão do Enem com vários professores", destacou.

Francisco Franco lembrou que, entre os manifestantes, há alunos inscritos para fazer o exame. "Nós, da ocupação, temos pessoas que vão fazer o Enem. Nem todo mundo é do terceiro ano. Será uma questão de revezamento", informou.

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