DF estima prejuízo de 70% na produção de milho
O governo do Distrito Federal estima prejuízo de R$ 116 milhões e redução de 70% na produção de milho, em consequência da estiagem entre fevereiro e abril; a baixa na produção representa 2,5 milhões de sacos de 60 quilos do grão a menos na colheita, segundo a Secretaria da Agricultura; a pasta emitiu nota técnica para embasar e apoiar produtores que não puderem cumprir contratos ou solicitar novos financiamentos
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Brasília 247 - O governo do Distrito Federal estima prejuízo de R$ 116 milhões e redução de 70% na produção de milho, em consequência da estiagem entre fevereiro e abril. A baixa na produção representa 2,5 milhões de sacos de 60 quilos do grão a menos na colheita, segundo a Secretaria da Agricultura. A pasta emitiu nota técnica para embasar e apoiar produtores que não puderem cumprir contratos ou solicitar novos financiamentos. Um estudo do governo do Distrito Federal apontou que o fenômeno El Niño, que ocorre no Oceano Pacífico, afetou as chuvas no Brasil. A média pluviométrica de Brasília em abril é de 123,8 milímetros; de março, de 180,6 milímetros; e de fevereiro, de 217,5 milímetros. Neste ano, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 10,8 milímetros em abril, 151 milímetros em março e 84,9 milímetros em fevereiro.
O secretário da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, José Guilherme Leal, afirma que o papel da pasta é auxiliar a administração e dar suporte aos produtores durante os momentos críticos. “Lançamos a nota técnica para embasar e apoiar os produtores que não puderem cumprir os contratos ou tiverem que solicitar novos financiamentos”, explica.
Os grãos produzidos em Brasília são usados principalmente para virar ração para porcos e aves. O secretário explica que é possível que haja um impacto no preço dessas carnes futuramente. Leal acrescenta que, se for necessário, pedirá ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ajuda para repor o déficit de milho e não comprometer o preço das carnes para o consumidor brasiliense. Segundo o secretário, o órgão do governo federal tem estoques com o grão para esses momentos.
O gerente e técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal em Tabatinga, Lucas Pacheco, afirma que a região é produtora de grãos e que a seca impactou os produtores. De acordo com o gerente, antes da divulgação da nota técnica, ele preparou laudos a pedido de produtores que comprovassem a perda na agricultura. “Teve gente que perdeu 100%”. A Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural entrevistou 59 produtores de milho, dos quais 53% apresentaram uma estimativa de quebra da produção do que foi plantado.
O produtor Lucas Michalski, de 31 anos, planta milho e outros grãos desde os 16 anos. A família gaúcha e de origem polonesa tem uma fazenda de 60 hectares no Núcleo Rural de Tabatinga, em Planaltina (a 54 quilômetros da Rodoviária do Plano Piloto). O agricultor calcula que terá uma perda de 1,5 tonelada por hectare plantado — o equivalente a 90 toneladas de grãos colhidos a menos nesta safra.
Apesar de haver queda na produção, Michalski acredita que não terá prejuízo financeiro. Como a quantidade de milho no mercado diminui, o preço para cada saco aumenta. “Esse saco todo é quase ouro”, afirma o produtor ao apontar para o estoque que tem guardado. Segundo o agricultor, a média de preço por saco é de R$ 18. “Neste ano, me ofereceram até R$ 50”. Apesar de o valor de mercado ter subido, o dono da fazenda afirma que não vale a pena, já que a perda também tem um custo alto. Para este ano, Michalski investiu cerca de R$ 90 mil.
*Com Agência Brasília
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