Cunha proíbe manifestação de servidores na Câmara e causa revolta

Por determinação do presidente da Câmara, a diretoria-geral da Casa enviou aos funcionários na noite desta terça-feira 5 um e-mail informando "todos os servidores que são proibidas manifestações de apreço ou desapreço nas dependências da Casa"; servidores reagiram: "Estamos vivendo em um Estado de Exceção?!"; deputados do PT, como Erika Kokay (PT-DF), Vicentinho (PT-SP) e Luiz Couto (PT-PB), também saíram em defesa dos funcionários

Por determinação do presidente da Câmara, a diretoria-geral da Casa enviou aos funcionários na noite desta terça-feira 5 um e-mail informando "todos os servidores que são proibidas manifestações de apreço ou desapreço nas dependências da Casa"; servidores reagiram: "Estamos vivendo em um Estado de Exceção?!"; deputados do PT, como Erika Kokay (PT-DF), Vicentinho (PT-SP) e Luiz Couto (PT-PB), também saíram em defesa dos funcionários
Por determinação do presidente da Câmara, a diretoria-geral da Casa enviou aos funcionários na noite desta terça-feira 5 um e-mail informando "todos os servidores que são proibidas manifestações de apreço ou desapreço nas dependências da Casa"; servidores reagiram: "Estamos vivendo em um Estado de Exceção?!"; deputados do PT, como Erika Kokay (PT-DF), Vicentinho (PT-SP) e Luiz Couto (PT-PB), também saíram em defesa dos funcionários (Foto: Gisele Federicce)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Brasília 247 – O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), determinou que a diretoria-geral da Casa enviasse aos servidores na noite desta terça-feira 5 um e-mail informando "todos os servidores que são proibidas manifestações de apreço ou desapreço nas dependências da Casa". Confira abaixo a íntegra da nota:

Nota da Diretoria-Geral

O Diretor-Geral, de ordem do Presidente da Câmara dos Deputados, com respaldo no art. 37, caput, da Constituição Federal, bem como no art. 16 do Regimento Interno da Câmara e no art. 117 da Lei 8.112/90, reitera a todos os servidores que são proibidas manifestações de apreço ou desapreço nas dependências da Casa.

continua após o anúncio

Ressalte-se, ainda, que as manifestações são livres para os mesmos servidores, enquanto cidadãos, desde que fora da Câmara e do expediente de trabalho.

 

continua após o anúncio

O texto causou polêmica entre os funcionários e críticas contra o presidente da Câmara. "Estão proibidas portanto as assembleias ou reuniões promovidas pelo Sindilegis, ASCADE, Unalegis e outras associações formadas por servidores ou funcionários da Casa? Manifestações por direitos ou contra a retirada deles não poderão ser feitos? Mesmo que digam respeito aos nossos interesses, como o Plano de Saúde? Ou a extinção do Departamento Médico?", questionou um funcionário, que não será identificado por segurança.

"Há mais de 30 anos da derrubada da ditadura militar, a liberdade de expressão ainda incomoda. Será por quê?", perguntou. "Estamos vivendo em um Estado de Exceção?!", indagou ainda um terceiro servidor. "Tiraram o povo de sua Casa, com medidas restritivas e seletivas de acesso aos espaços e atividades de interesse da população. Agora, tiram o direito "sagrado" da democracia: a liberdade de expressão e manifestação. Jamais vi servidores da Casa adotar comportamento de 'quebra de decoro', já Suas Excelências?!", criticou ainda esse funcionário.

continua após o anúncio

Deputados da bancada do PT saíram em defesa dos funcionários da Casa. "É inadmissível que parlamentares tentem criminalizar a ação de servidores e servidoras desta Casa, que têm o direito conquistado nas salas escuras de tortura, na sua resistência, de se manifestarem. É um absurdo que servidores, ao distribuírem um manifesto chamando para ato deste dia 31, tenham que ser submetidos à apreciação do Departamento de Polícia desta Casa. É um absurdo que esse arbítrio esteja em curso neste momento tentando cassar a liberdade de expressão de servidores e servidoras desta Casa", protestou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

O deputado Vicentinho (PT-SP) também saudou o Comitê pela Legalidade e afirmou que os trabalhadores e trabalhadoras devem estar atentos contra a tentativa de golpe em curso no país. "Cuidado, trabalhadores e trabalhadoras! Não se deixem levar pelo canto da sereia, sobretudo o da grande mídia, que até hoje tem atuado muito mais de acordo com o interesse da elite dominante deste País. É um absurdo que haja uma tentativa de golpe em curso neste País. A democracia será maior", disse.

continua após o anúncio

"É fundamental que a sociedade possa expressar o seu pensamento. Nós não podemos aceitar isso dos arautos da ditadura, que hoje defendem aquele processo da ditadura brasileira, ocorrida em 31 de março de 1964. A democracia deve ser respeitada. Trata-se do Estado Democrático de Direito. Queremos manifestar essa nossa solidariedade e registrar esse manifesto do Comitê Independente de Servidores da Câmara dos Deputados, o Comitê pela Legalidade", completou o deputado Luiz Couto (PT-PB).

O deputado Leo de Brito (PT-AC) também manifestou solidariedade ao manifesto. "Os servidores da Câmara dos Deputados têm direito de se manifestar, têm direito à liberdade de expressão e têm se posicionado a favor da democracia nesta Casa. Espero que não haja retaliações em relação a isso. Esta é uma Casa democrática", destacou.

continua após o anúncio
continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247