CLDF aprova mudanças na previdência

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou o projeto de lei complementar que reestrutura a previdência no Distrito Federal; a matéria recebeu 14 votos favoráveis e oito votos contrários; as principais proposições foram a criação de uma previdência complementar para novos funcionários públicos, a criação de um fundo solidário garantidor, que será abastecido por fontes extraordinárias de receitas, e a unificação dos fundos capitalizado e financeiro

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou o projeto de lei complementar que reestrutura a previdência no Distrito Federal; a matéria recebeu 14 votos favoráveis e oito votos contrários; as principais proposições foram a criação de uma previdência complementar para novos funcionários públicos, a criação de um fundo solidário garantidor, que será abastecido por fontes extraordinárias de receitas, e a unificação dos fundos capitalizado e financeiro
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou o projeto de lei complementar que reestrutura a previdência no Distrito Federal; a matéria recebeu 14 votos favoráveis e oito votos contrários; as principais proposições foram a criação de uma previdência complementar para novos funcionários públicos, a criação de um fundo solidário garantidor, que será abastecido por fontes extraordinárias de receitas, e a unificação dos fundos capitalizado e financeiro (Foto: Leonardo Lucena)


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Brasília 247 - A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) aprovou nesta terça-feira (26) o projeto de lei complementar nº 122/2017 que reestrutura a previdência no Distrito Federal. A matéria recebeu 14 votos favoráveis e oito votos contrários.

A criação do regime de previdência complementar para os servidores que vierem a ingressar após a criação da Previcom – fundação de direito privado, com natureza pública, a ser instituída por decreto do governador do DF, era o ponto da proposição sobre o qual havia mais concordância entre os parlamentares. As maiores divergências estavam na segunda parte do PLC, que "faz ajustes no Regime Próprio de Previdência do Distrito Federal".

O projeto original propunha a utilização de recursos do fundo capitalizado (formado a partir das contribuições de servidores que ingressaram a partir de 2007) para cobrir o déficit do fundo financeiro, que paga os benefícios previdenciários dos demais integrantes do quadro de pessoal do GDF. A principal crítica da oposição sobre essa questão era a indefinição das garantias, exigidas por lei, para sustentar os pagamentos no futuro.

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Fundo Garantidor – O substitutivo inseriu mais um elemento: o Fundo Solidário Garantidor a ser constituído por diversas espécies de "bens, ativos, direitos e receitas extraordinárias", que incluem imóveis; recursos decorrentes da cessão do direito sobre os espaços públicos destinados a estacionamento e sobre áreas destinadas à regularização fundiária urbana e rural; dividendos, participações nos lucros de empresas públicas ou de sociedades de economia mista; recebíveis relativos à Dívida Ativa; e o produto da concessão de bens e serviços baseado em parcerias público-privada.

A bancada oposicionista chamou a atenção para aspectos que considera negativos na proposição. "O projeto vai privatizar os estacionamentos públicos de Brasília", reclamou o deputado Chico Vigilante (PT), que também reprovou a junção do regime complementar e de previdência social na mesma propositura. Para Reginaldo Veras (PDT), o PLC não dá garantias concretas de reposição dos recursos. "O fundo garantidor não garante nada", resumiu o deputado Ricardo Vale (PT). Celina Leão (PPS) defendeu que não era possível votar sem entender a proposta "em toda sua complexidade".

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Os parlamentares governistas contestaram. "O fundo garantidor exige que o governo faça uma poupança forçada", declarou Rodrigo Delmasso (Podemos). Por sua vez, o líder do governo Agaciel Maia (PTC), reiteradamente, observou que o substitutivo já havia sido analisado pelos deputados e contava com sugestões do Tribunal de Contas do DF. Na opinião do deputado Lira (PHS), o governo estava, definitivamente, "apresentando uma solução" para os problemas da previdência no DF.

Adiamento – Houve esforços para adiar a votação. "Não há segurança jurídica para votarmos hoje", protestou Wellington Luiz (PMDB), apoiado por parte da galeria que pedia a retirado do projeto da pauta. Mesmo assim, o presidente da CLDF, deputado Joe Valle (PDT) fez prevalecer o acordo firmado, nesta segunda-feira (25), pelo colégio de líderes, para que a matéria fosse levada à apreciação do plenário. O parlamentar chegou a colocar em votação uma proposta de adiamento, que foi derrubada, no voto, pela bancada do governo.

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Outro ponto que suscitou questionamentos foi a decisão do Tribunal de Justiça do DF, tomada nesta segunda-feira, que decidiu solicitar à Câmara Legislativa informações sobre o quórum necessário à votação do PLC nº 122/2017. Para o deputado Claudio Abrantes (sem partido), que demandou os desembargadores, seriam precisos 16 votos favoráveis para que a matéria fosse aprovada, por se tratar de tema previdenciário. "Vejam o risco dessa situação", apelou Raimundo Ribeiro (PPS), chamando a atenção para a possibilidade de invalidação do resultado.

Emendas – Superada a fase de debates e de tentativas dos distritais de interromper a votação, com base no Regimento Interno, os parlamentares passaram a apreciar as 38 emendas apresentadas na tarde de hoje. As comissões de Assuntos Sociais (CAS); de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF); e de Constituição e Justiça (CCJ) proferiram os relatórios em plenário, votados por todos os deputados presentes. Somente seis foram acatadas.

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Uma das emendas rejeitadas, de autoria do deputado Joe Valle, tratava da utilização dos recursos existentes atualmente que serão incorporados pelo Fundo Garantidor. De acordo com o substitutivo, o governo poderá utilizar, para o pagamento de benefícios previdenciários, além do resultado total do investimento verificado no ano anterior, decorrente da rentabilização da carteira de ativos do fundo, até 10% do total das reservas existentes no momento da publicação da Lei. A emenda permitia somente o uso dos rendimentos.

O deputado Wasny de Roure (PT), que apresentou voto em separado contrário ao PLC, criticou duramente esse item da proposta do governo, que classificou como "enganação". Segundo o parlamentar, "já era previsto que haveria surpresas", mas não era esperado que o governo lançasse mão dos recursos principais do fundo. Joe Valle fez um apelo aos colegas para que a emenda de sua autoria fosse acatada na votação de segundo turno. "Vamos voltar a apresentá-la, não podemos permitir saques de recursos que formam a base do fundo", afirmou.

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Segundo turno – Depois da proclamação do resultado da votação em primeiro turno, o deputado Cláudio Abrantes apresentou questão de ordem para que a apreciação, em segundo turno e redação final, do PLC nº 122/2017 não ocorresse em sessão extraordinária imediatamente após o término da sessão ordinária. Parlamentares que apoiam o governo contra-argumentaram afirmando que o Regimento Interno prevê "a dispensa do interstício".

Uma das ideias postas foi aguardar o primeiro minuto desta quarta-feira (27) para que a votação pudesse acontecer. O presidente da CLDF resolveu colocar a questão para decisão do plenário. O deputado Delmasso apresentou requerimento para que a votação prosseguisse. Aberta a sessão extraordinária, o PLC recebeu sete emendas de segundo turno, incluindo aquela reapresentada por Joe Valle. Logo na primeira comissão (CAS), a proposta foi rejeitada.

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"Havia uma combinação para que a emenda fosse acatada. Como esse acordo foi quebrado, somente me resta encerrar esta sessão extraordinária", ponderou Valle. Contudo, foi recomendado que a emenda fosse votada separadamente e o presidente aceitou a sugestão. A sessão foi suspensa e, numa reunião, deputados concordaram em votar favoravelmente. Desse modo, a emenda foi acatada, sendo restabelecido o texto original, nesse ponto.

*Com CLDF

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