Cardozo: impeachment contra Dilma é golpe
Ao apresentar a defesa da presidente Dilma na comissão especial que avalia o pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, chamou o processo de "golpe"; segundo ele, "é claro" que o impeachment está previsto na Constituição, mas "se o crime não for tipificado, e não forem atingidos os pressupostos, um processo de impeachment é golpe"; ele destacou que a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de aceitar o pedido foi uma "retaliação a Dilma" por não ter conseguido votos contra sua cassação no Conselho de Ética e que isso foi "noticiado com clareza" pela imprensa; "Impeachment que rasga a Constituição traz ruptura tensionadora, conflituosa e faz surgir um governo sem legitimidade", disse Cardozo
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247 - O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, entregou na tarde desta segunda-feira 4 a defesa da presidente Dilma Rousseff à Comissão Especial de Impeachment na Câmara dos Deputados.
O presidente do colegiado, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), afirmou que "não serão permitidas interpelações ao ministro, que tão somente apresentará as considerações da defesa da presidente".
Durante a apresentação da defesa de Dilma, Cardozo chamou o atual processo de impeachment de "golpe". Segundo ele, "é claro" que o impeachment está previsto na Constituição, mas "se o crime não for tipificado, e não forem atingidos os pressupostos, um processo de impeachment é golpe".
O chefe da AGU destacou também que a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de aceitar o pedido foi uma “retaliação a Dilma” por não ter conseguido votos contra sua cassação no Conselho de Ética e que isso foi “noticiado com clareza” pela imprensa na época.
Golpe com ruptura da Constituição abala a inconstitucionalidade do País e ofende o estado democrático de direito, afirmou Cardozo. Jamais será perdoado pela história, será malvisto internacionalmente, continuou. Segundo ele, esse processo trará conflitos. "Impeachment que rasga a Constituição traz ruptura tensionadora, conflituosa e faz surgir um governo sem legitimidade", completou.
Ao discorrer sobre as chamadas 'pedaladas fiscais', ressaltou que se ocorrer impeachment contra Dilma por esse motivo, "haverá impeachment por todo o País", uma vez que a prática financeira acontece em muitos estados. "Nós temos aqui o mapa de todos os estados atingidos. Todos esses governadores deveriam então sofrer impeachment. Uma verdadeira violência constitucional", disse.
Confira aqui material disponibilizado pela AGU, que divide a defesa de Cardozo em tópicos.
Mais informações na reportagem da Agência Brasil, abaixo. Assista parte da defesa do ministro:
Cardozo: pedido de impeachment tem erros conceituais básicos
Ivan Richard - Responsável pela defesa da presidenta Dilma Rousseff no processo de impeachment, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), José Eduardo Cardozo, disse hoje (4) que a denúncia aceita pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apresenta erros "erros conceituais básicos de direito financeiro" e confunde gestão orçamentária com gestão financeira.
"Quem já atuou na gestão pública sabe disso. Mas é possível que pessoas que não militem nessa área tenham dificuldade de entender", disse Cardozo. Segundo o ministro, a Lei Orçamentária estabelece uma programação, com uma previsão do que vai ser arrecadado e define onde será efetuado o gasto. Ao falar em defesa de Dilma na comissão especial que analisa o impeachment, Cardozo lembrou que a Lei de Responsabilidade Fiscal criou instrumentos para garantir o controle financeiro, "a despeito" do controle orçamentário, que é efetivado por meio do contingenciamento, que é a limitação de gastos do orçamento.
"Quando fala-se créditos suplementares não se está falando em gestão financeira, mas orçamentária". De acordo com o ministro, na maior parte das vezes, os créditos não têm implicação com o gasto financeiro.
Assim como fez o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, quando esteve na comissão na última semana, Cardozo comparou a elaboração orçamentária do governo ao gastos domésticos em uma feira, que podem variar conforme a necessidade de uma família.
"O crédito suplementar é a alteração da lista [de compras] sem que isso implique gasto a mais, porque o gasto é controlado pelo contingenciamento. Ele altera a disponibilidade do gasto", argumentou o ministro.
"Em síntese, os créditos suplementares editados por decreto não afetaram as metas fiscais. Metas fiscais têm a ver com gestão financeira, que é controlada pelo decreto de contingenciamento. A simples alteração de crédito suplementar não implica em ofensa à nenhuma meta estabelecida."
Mesmo que houvesse ilegalidade, segundo Cardozo, o argumento só poderia servir de base para o pedido de impeachment sem ferir a Constituição, se houvesse, necessariamente, uma ação dolosa da presidente. "Sabem os senhores quantos órgãos técnicos intervêm para que um decreto seja expedido? Mais de 20. Todos os decretos foram respaldados por relatórios técnicos", argumentou.
"Ela [Dilma] agiu com má-fé quando todos os técnicos dizem que é possível, factível e pode ser feito? Há um princípio no direito que trata da legitimidade dos atos administrativos. Ele prevê que os atos administrativos são legais até que se prove o contrário. Imaginar-se que a presidente tivera uma ação dolosa na edição de decreto quando própria AGU, o Ministério do Planejamento firmou esses estudos, seria um verdadeiro absurdo", acrescentou.
Cardozo destacou que, por 15 anos, o Tribunal de Contas da União e os tribunais de contas estaduais admitiram a prática de edições de decretos. "Portanto, se essa Casa admitir o impeachment haverá processos de impeachment em todo o país, de governadores e prefeitos. Todos praticam porque as cortes de contas aceitam isso."
Pedaladas
Sobre as chamadas pedaladas fiscais, o ministro da AGU ressaltou que, mesmo que elas sejam consideradas crimes – tese que ele discorda – ocorreram no mandato de Dilma encerrado em 2014 e, portanto, a presidente não pode ser penalizada com a perda de mandato por essa razão.
"[A aprovação do impeachment] fere o princípio da previsibilidade jurídica, fere a segurança das instituições, criam-se teses para justificar fatos a partir de uma concepção política. Não pode o país viver com tal situação de imprevisibilidade na gestão governamental. Ao defender a presidenta, defendo todos os governadores e todos os defeitos", argumentou Cardozo.
Por quase duas horas, o ministro apresentou a defesa da presidente Dilma à comissão especial do impeachment. Por determinação do presidente do colegiado, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), os parlamentares não puderam fazer perguntas ao ministro. Ao longo da exposição, no entanto, alguns deputados favoráveis a saída de Dilma interromperam a fala de Cardozo com críticas a ele e ao governo.
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