Ala insatisfeita do PMDB promete manter resistência

O deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS) disse que o grupo que defendia a eleição de Hugo Motta (PB) para líder da bancada na Câmara, concorrente de Leonardo Picciani (RJ), amarga o resultado, mas manterá resitência ao governo; "Vamos continuar sendo dissidentes, defendendo que o PMDB saia do governo e vamos continuar trabalhando pelo impeachment", declarou

Brasília - O deputado Darcísio Perondi fala à imprensa no Congresso Nacional (José Cruz/Agência Brasil)
Brasília - O deputado Darcísio Perondi fala à imprensa no Congresso Nacional (José Cruz/Agência Brasil) (Foto: Gisele Federicce)


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Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil

Mesmo com a recondução do deputado Leonardo Picciani (RJ) à liderança do PMDB na Câmara, com 37 dos 71 votos, a ala insatisfeita do partido promete manter resistência. Darcísio Perondi (RS), um dos deputados que defenderam na eleição de ontem (17) a troca no comando da bancada, afirmou hoje (18) que a divisão dentro da legenda será levada inclusive à convenção do partido, marcada para 12 de março. "Vamos continuar sendo dissidentes, defendendo que o PMDB saia do governo e vamos continuar trabalhando pelo impeachment [da presidenta Dilma Rousseff]", afirmou.

O deputado explicou que o grupo que defendia a eleição de Hugo Motta (PB), concorrente de Picciani, amarga a derrota, com diferença de sete votos. "O jogo foi muito pesado. Fomos incompetentes. Perdemos por competência do outro lado, da prefeitura do Rio de Janeiro e do Palácio do Planalto", completou, ao mencionar o retorno de titulares que ocupavam cargos no Executivo e foram exonerados para participar das eleições, como Marcelo Castro, que deixou momentaneamente o Ministério da Saúde para poder votar na escolha do líder do PMDB.

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Em janeiro, as duas alas do PMDB chegaram a um acordo em relação à questão que acabou criando toda a divisão no partido: a formação da comissão especial que analisará o processo de impeachment da presidenta Dilma. Picciani comprometeu-se a entregar uma lista equilibrada. Para Perondi esta será um dos momentos decisivos que o líder enfrentará este ano. "Se ele quiser mesmo a unificação da bancada, como disse ele, terá que comportar o [grupo] perdedor", cobrou.

Picciani confirmou o compromisso. No Salão Verde, ao lado de Perondi, garantiu que a lista do partido, com oito indicações, será equilibrada. "A comissão do impeachment contemplará todas as correntes de pensamento: os favoráveis, os contrários e os que ainda não manifestaram opinião. Em relação às comissões permanentes, os deputados recebem um formulário em que marcam suas preferências. Conseguimos atender a mais de 90% desses pleitos. Não vejo dificuldade."

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Perguntado sobre a convenção do PMDB, Picciani disse que o partido está buscando unidade partidária. "Talvez consiga chegar a um cenário em que não haja disputa. Esse é o melhor dos cenários", afirmou. O líder da legenda na Câmara não acredita que a ruptura com o governo, defendida pela outra ala do PMDB, entre na pauta do encontro. "Na maioria dos convencionais não há um desejo de discutir este tema neste momento."

Reforma da Previdência

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Picciani ainda defendeu que a Câmara se debruce sobre pontos considerados estratégicos pelo governo, como a reforma da Previdência. "Há um sentimento geral de que a reforma é estruturante para o país e precisa ser feita. É preciso que Executivo envie o projeto para que a gente discuta o mérito da proposta. Mas que é preciso mexer não resta dúvida, e a situação do país, dos municípios e dos estados demonstra isto."

Do lado do PT, a posição sobre a reforma ainda não é tão certa. O partido da presidente Dilma deve se reunir na próxima semana para tentar um consenso sobre a proposta. "O PT é o partido da presidente. O Brasil precisa fazer essa reforma. Até o PSDB deu sinais de que pode votar, se o PT fechar questão a favor da reforma da Previdência", afirmou o vice-líder do governo, Silvio Costa (PSC-PE). "Quero perguntar ao PT se ele quer ajudar a presidente Dilma e o país ou quer fazer demagogia, porque o partido sabe que a reforma da Previdência é numa visão de futuro e que não vamos mexer em direitos adquiridos do trabalhador. Cobro do PT que seja aliado", acrescentou Costa, visivelmente irritado.

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