À CPI, Pessoa diz que pagou propina por medo de perder contratos

"Eu não achava justo que a trajetória vitoriosa da UTC fosse interrompida. Denunciar as vantagens indevidas poderia ser danoso à empresa. Cedi aos pedidos e paguei para manter o direito de a minha empresa existir", afirmou o empresário, dono da construtora investigada na Lava Jato; ele deu as declarações aos integrantes da CPI da Petrobras, mas disse que não responderá às perguntas dos parlamentares

"Eu não achava justo que a trajetória vitoriosa da UTC fosse interrompida. Denunciar as vantagens indevidas poderia ser danoso à empresa. Cedi aos pedidos e paguei para manter o direito de a minha empresa existir", afirmou o empresário, dono da construtora investigada na Lava Jato; ele deu as declarações aos integrantes da CPI da Petrobras, mas disse que não responderá às perguntas dos parlamentares
"Eu não achava justo que a trajetória vitoriosa da UTC fosse interrompida. Denunciar as vantagens indevidas poderia ser danoso à empresa. Cedi aos pedidos e paguei para manter o direito de a minha empresa existir", afirmou o empresário, dono da construtora investigada na Lava Jato; ele deu as declarações aos integrantes da CPI da Petrobras, mas disse que não responderá às perguntas dos parlamentares (Foto: Gisele Federicce)


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Agência Câmara - O empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, disse há pouco, aos integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, que pagou propina na petrolífera estatal por medo de perder contratos e comprometer a empresa.

"Eu não achava justo que a trajetória vitoriosa da UTC fosse interrompida. Denunciar as vantagens indevidas poderia ser danoso à empresa. Cedi aos pedidos e paguei para manter o direito de a minha empresa existir", afirmou.

Pessoa compareceu à CPI amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que dá a ele o direito de não responder as perguntas dos deputados.

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Ele disse que não vai responder as perguntas. "Tenho o direito de permanecer calado diante da CPI e tudo o que tinha a dizer está nos anexos dos depoimentos à Justiça Federal", ressaltou.

O presidente da CPI, deputado Hugo Motta (PMDB-PB) perguntou se ele falaria em uma sessão reservada. "Com todo o respeito, vou permanecer em silêncio", reafirmou.

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Antes de ser interrogado, Pessoa leu um texto em que afirma ter perdido 15 quilos desde a prisão e fez uma defesa da UTC. Ele disse que a empreiteira tinha 30 mil empregados e faturamento de R$ 5 bilhões antes da Operação Lava Jato.

O empresário disse que sua opção por colaborar com a Justiça não é decorrente de vingança ou acerto de contas. Ele disse que mudou desde novembro do ano passado, quando foi preso. "As pessoas que trabalham na UTC não tem responsabilidade sobre os meus atos", afirmou.

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O empresário é apontado pela Polícia Federal e Ministério Público Federal como o coordenador do cartel de empreiteiras que pagava propinas a diretores, políticos e partidos em troca de contratos. É a terceira vez que a CPI marca o depoimento do empresário, convocado a pedido de dez deputados, a maioria deles da oposição.

A presença dele é uma das mais aguardadas pela CPI em razão da menção que ele teria feito, em depoimentos ainda mantidos em sigilo, a respeito das campanhas da presidente Dilma Rousseff em 2010 e 2014.

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Segundo o jornal O Estado de São Paulo, Pessoa disse na Justiça que repassou R$ 3,6 milhões ao PT, dinheiro que teria sido usado na campanha de Dilma Rousseff. O comitê de campanha de Dilma negou a informação.

Em junho, a revista Veja informou que Pessoa teria mencionado 18 políticos como beneficiários de dinheiro desviado da Petrobras.

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