2015: o ano em que Cunha sequestrou o parlamento

O roteiro amargo de 2015 foi definido no primeiro dia de fevereiro deste ano, quando o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se elegeu presidente da Câmara dos Deputados; a partir dali, com apoio da oposição liderada pelo PSDB e dos setores mais conservadores da mídia, ele colocou em marcha um projeto de implosão política e econômica do País; com suas pautas-bomba, fez a aposta no 'quanto pior, melhor', em sintonia com o PSDB; com a ameaça permanente de impeachment, deflagrado no fim do ano, drenou as energias do governo para o embate político; depois de descobertas suas movimentações financeiras na Suíça, Cunha termina 2015 enfraquecido, mas ainda age e fala como se nada tivesse acontecido

O roteiro amargo de 2015 foi definido no primeiro dia de fevereiro deste ano, quando o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se elegeu presidente da Câmara dos Deputados; a partir dali, com apoio da oposição liderada pelo PSDB e dos setores mais conservadores da mídia, ele colocou em marcha um projeto de implosão política e econômica do País; com suas pautas-bomba, fez a aposta no 'quanto pior, melhor', em sintonia com o PSDB; com a ameaça permanente de impeachment, deflagrado no fim do ano, drenou as energias do governo para o embate político; depois de descobertas suas movimentações financeiras na Suíça, Cunha termina 2015 enfraquecido, mas ainda age e fala como se nada tivesse acontecido
O roteiro amargo de 2015 foi definido no primeiro dia de fevereiro deste ano, quando o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) se elegeu presidente da Câmara dos Deputados; a partir dali, com apoio da oposição liderada pelo PSDB e dos setores mais conservadores da mídia, ele colocou em marcha um projeto de implosão política e econômica do País; com suas pautas-bomba, fez a aposta no 'quanto pior, melhor', em sintonia com o PSDB; com a ameaça permanente de impeachment, deflagrado no fim do ano, drenou as energias do governo para o embate político; depois de descobertas suas movimentações financeiras na Suíça, Cunha termina 2015 enfraquecido, mas ainda age e fala como se nada tivesse acontecido (Foto: Leonardo Attuch)


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247 – O ano de 2015 se perdeu no primeiro dia de fevereiro. Foi quando Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com apoio de boa parte da oposição, se elegeu presidente da Câmara dos Deputados, com 267 votos.

A partir dali, Cunha pintou e bordou no País, com apoio dos tucanos e dos setores mais conservadores da mídia nacional.

Os primeiros sinais da força de Cunha vieram já em março, quando o então ministro Cid Gomes, escolhido para levar adiante o lema da 'Pátria Educadora', se viu forçado a pedir demissão após qualificar o presidente da Câmara como "achacador".

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Depois disso, empurrado por capas de revistas como Veja e Época, Cunha tentou emplacar uma reforma política que garantisse o financiamento empresarial de campanhas (raiz de todos os escândalos recentes de corrupção) e, em seguida, colocou em marcha um roteiro de implosão política e econômica do País.

Em sintonia com os tucanos, Cunha colocou em votação as chamadas pautas-bomba, com temas como o fim do fator previdenciário e o reajuste de mais de 100% para o Poder Judiciário. Era uma aposta clara no 'quanto pior, melhor', no momento em que o ex-ministro Joaquim Levy tentava aprovar seu ajuste fiscal – Cunha à frente do parlamento foi um fator decisivo para o rebaixamento do Brasil pelas agências de classificação de risco.

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No front político, o presidente também representou a ameaça permanente de impeachment – que foi acolhido no fim do ano, depois que vieram à tona suas movimentações financeiras na Suíça e em outros países.

Cunha disse que fez fortuna vendendo carne enlatada para a África, numa justificativa que ninguém levou a sério. Apesar disso, nos últimos dias do ano, ele se manteve impassível e concedeu entrevistas como se nada lhe tivesse acontecido – ou estivesse prestes a acontecer.

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Essa guerra política e econômica, absolutamente improdutiva, drenou todas as energias do governo em 2015, contribuindo decisivamente para a recessão. No entanto, ao menos serviu para mostrar à sociedade, a real natureza das relações entre os poderes Executivo e Legislativo.

O ano de Cunha foi também um ano pedagógico.

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