Yushkov: Recuperação de dinheiro visa difamar Dilma ainda mais
Analista do Fundo de Segurança Energética Nacional e professor da Universidade de Finanças na Rússia, Igor Yushkov, diz que o resultado da investigação que visa trazer de volta ao Brasil o dinheiro desviado da Petrobras tem como objetivo difamar ainda mais a presidente afastada Dilma Rousseff; "É importante para as elites que chegaram ao poder mostrar que Dilma Rousseff encabeçava toda a cadeia de corrupção. (...) Se não precisassem afastar Dilma do poder, ninguém voltaria o dinheiro para a Petrobras", completou; segundo ele, "o dinheiro é assunto secundário"
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Sputnik Brasil - Através da investigação anticorrupção, as autoridades brasileiras estão conseguindo o retorno de parte dos ativos roubados da Petrobras. Cerca de 60 milhões foram retornados para as contas da empresa. Foram entregues pelos funcionários, políticos e empresários que concordaram em cooperar com a investigação.
Na opinião do analista do Fundo de Segurança Energética Nacional, professor da Universidade de Finanças, Igor Yushkov, este resultado da investigação, que é apresentado como um êxito sem precedentes, visa difamar ainda mais a ex-presidente brasileira Dilma Rousseff. "É importante para as elites que chegaram ao poder mostrar que Dilma Rousseff encabeçava toda a cadeia de corrupção. O retorno do dinheiro realiza-se no âmbito da campanha de que ela não deve voltar à política porque está envolvida no escândalo de corrupção. Se não precisassem de afastar Dilma Rousseff do poder, ninguém voltaria o dinheiro para a Petrobras", disse Yushkov ao serviço russo da Rádio Sputnik.
Ele afirmou que a empresa não receberá todos os valores que deveria, porque o que é importante é demonstrar o caráter corrupto da liderança precedente. "O dinheiro é um assunto secundário", diz Yushkov. O analista afirmou que a Petrobras está em condição muito má. Investiu muito em plataformas de perfuração marítima, mas o lucro de produção de petróleo diminuiu muito com a queda do preço do combustível. A empresa permitiu às empresas estrangeiras participar de seus projetos, mas os investidores demoram a aparecer.
"[O Brasil] precisa de criar melhores condições para as empresas estrangeiras que chegam. Além disso, a Petrobras tem perspectivas pouco positivas se o preço de petróleo não subir acima de 80 dólares por barril", disse. O analista afirmou que os políticos que estiveram envolvidos em atividades de corrupção na Petrobras e agora estão devolvendo os ativos para a empresa aproveitam o seu apoio à investigação como uma indulgência, ou seja, como uma garantia de que ficarão nos seus postos.
"Se calhar, não faziam parte da equipe de Rousseff, foram altos funcionários que mantêm seus postos independentemente da mudança de poder. Disseram a eles que podem devolver o dinheiro e ficar nos seus cargos", concluiu Yushkov.
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