WikiLeaks divulgará 2,4 milhões de emails sobre a Síria
Mensagens foram enviadas entre 2006 e março deste ano, envolvendo políticos de alto escalão do partido de Bashar al Assad, e grandes companhias; "Este material é constrangedor para a Síria", disse o fundador da organização, Julian Assange
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247 – O WikiLeaks anunciou nesta quinta-feira 5 o início da publicação de 2,4 milhões de emails que envolvem políticos, empresas e ministros do governo sírio. Chamadas de "Arquivo Síria", as mensagens abarcam correspondências provenientes de 680 entidades sírias enviados durante o período de agosto de 2006 até março deste ano, incluindo emails pessoais de políticos do alto escalão do partido Baath, de Bashar al Assad, e registros de transferências financeiras da Síria a outros países.
Os correios eletrônicos serão divulgadas em diversos idiomas, incluindo arábico e russo, e contêm informações concedidas por ministros relacionados com a presidência e com o mercado financeiro. De acordo com o WikiLeaks, "os emails vão jogar uma luz sobre o funcionamento interno do governo e da economia na Síria, mas também revelam como as companhias ocidentais dizem uma coisa e fazem outra".
Ao longo dos próximos meses, reportagens com base nestes documentos serão publicadas por diversos meios de comunicação, como o jornal libanês Al Akhbar, o egípcio Al Masry Al Youm, a agência norte-americana Associated Press, a revista italiana L'Espresso e o jornal espanhol Publico.es. "Este material é constrangedor para a Síria, mas também para os opositores sírios", disse o fundador da organização, o australiano Julian Assange. "Ele nos ajuda a não somente criticar um grupo ou outro, mas a entender seus interesses, suas ações e seus pensamentos", completou.
Empresa italiana vendeu equipamentos de comunicação ao governo sírio
Um dos emails sugere o envolvimento de uma empresa italiana no fornecimento de equipamentos utilizados na repressão na Síria. Filial do complexo militar industrial italiano Finmeccanica, a Selex e a multinacional Intracom Telecom, de capital russo e grego, assinaram contrato de 40 milhões de euros com o governo de Assad no início de 2008 para implementar o sistema de comunicações sem fio TETRA (Terrestrial Trunked Radio) no país.
Segundo estes dados, os italianos não só venderam e sintonizavam os equipamentos, como também ensinaram os especialistas locais a trabalharem com eles. Antes, não havia qualquer prova sobre a cooperação técnico-militar de países-membros da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) com o regime de Assad depois do início da guerra civil na Síria.
Mesmo com os confrontos que eclodiram na Síria em março do ano passado, ambas as empresas continuaram a fornecer o TETRA e outras ferramentas de comunicação no país. Segundo os documentos vazados pelo Wikileaks, existem fortes evidências de que estes equipamentos podem ter facilitado a repressão do governo de Assad, informou o Publico.es.
Segundo o L'Espresso, a companhia italiana transferiu centenas de rádios para a polícia síria desde o início dos protestos e também equipamentos tecnológicos para helicópteros, sendo que esta aeronave foi utilizada pelo governo de Assad para bombardear áreas do país.
Estas mesmas ferramentas eram vendidas pela Finmecanica para a polícia iraniana durante o ano de 2006, informou o Publico.es. A empresa também é responsável por negociar com importantes órgãos do regime de Assad, fortemente vinculados a sua figura e família, como a SPC (Companhia de Petróleo Sírio em sua sigla em inglês).
Com informações do Opera Mundi
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