Visita de Mike Pompeo ao Brasil objetivou beneficiar campanha de Trump, afirma analista

Para o professor de Relações Internacionais da Facamp Pedro Costa Júnior, Pompeo fez duras críticas a Maduro em busca do "voto crucial" dos latinos da Flórida

Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ao lado do ministro das Relações Exteriores, Ermesto Araújo, em Boa Vista 18/09/2020
Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, ao lado do ministro das Relações Exteriores, Ermesto Araújo, em Boa Vista 18/09/2020 (Foto: Mancinelle/IOM/Pool via REUTERS)


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Sputnik - A presença do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, em Boa Vista e suas críticas à Venezuela podem ser entendidas como um esforço de campanha de Donald Trump, avalia especialista em relações internacionais.

Pompeo esteve em Boa Vista na sexta-feira (18) e teve agenda com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e visitou a Operação Acolhida, iniciativa brasileira de recepcionamento de venezuelanos que deixam o país.

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Em tour pela América do Sul, Pompeo afirmou que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, é um "traficante de drogas" e que Washington deseja que a Venezuela "tenha uma democracia". 

Quando a viagem internacional do chefe da diplomacia foi anunciada, contudo, as primeiras informações davam conta apenas de visitas a Suriname e Guiana, países que descobriram consideráveis reservas de petróleo nos últimos anos. O itinerário foi ajustado posteriormente para acomodar a presença no Brasil e também na Colômbia, outro país que faz fronteira com a Venezuela.

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Nesta segunda-feira (21), os Estados Unidos anunciaram sanções contra Maduro

Para o professor de Relações Internacionais da Faculdade de Campinas (Facamp) Pedro Costa Júnior, Pompeo fez duras críticas a Maduro em busca do "voto crucial" dos latinos da Flórida, que é um dos chamados swing states da eleição — regiões dos Estados Unidos sem preferência partidária definida e que são importantes para a definição do próximo presidente.

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"Dessa maneira, essa visita do secretário de Estado é um recado para essa comunidade [latina] que está sempre muito atenta, cujos imigrantes são, em sua esmagadora maioria, cubanos, frutos da revolução cubana, desde a Guerra Fria e, mais recentemente, nos últimos anos, venezuelanos", diz Júnior à Sputnik Brasil.

Com 29 delegados no Colégio Eleitoral, a Flórida é um ponto central na corrida presidencial dos Estados Unidos a as últimas pesquisas apontam um cenário apertado

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A presença de Pompeo no Brasil rendeu críticas do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que classificou o episódio como uma "afronta" das tradições da diplomacia brasileira. O chanceler brasileiro reagiu e divulgou nota defendendo a decisão do Itamaraty.

Assim como os Estados Unidos, o Brasil reconhece o autodeclarado presidente Juan Guaidó como líder legítimo da Venezuela. Guaidó já foi, inclusive, recebido como chefe de Estado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em Brasília.

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O professor da FACAMP acredita que Bolsonaro faz mais do que um "alinhamento automático" com os Estados Unidos e ocupa um papel de "verdadeira vassalagem" ao governo de Trump. "É uma opção deliberada jamais vista na história das relações exteriores", avalia.

"O Brasil volta a falar fino, parafraseando Francisco Buarque de Hollanda, volta a falar fino com os Estados Unidos e a falar grosso com seus vizinhos", diz Júnior. 

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