Venezuela: oposição boicota eleição para prefeitos

Apesar da crise ter feito a popularidade do presidente Maduro despencar, a oposição não consegue capitalizar a situação. Nas eleições governamentais de outubro, a oposição levou apenas 5 de 23 estados em um pleito marcado por denúncias de manipulação e compra de votos

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante evento no Palácio de Miraflores, em Caracas 22/11/2017 Palácio de Miraflores/Divulgação via REUTERS
Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante evento no Palácio de Miraflores, em Caracas 22/11/2017 Palácio de Miraflores/Divulgação via REUTERS (Foto: Leonardo Attuch)


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Da Agência Sputinik

As eleições para prefeito ocorrem em ritmo lento na Venezuela neste domingo (10) enquanto a população parece indecisa entre apoiar os candidatos do presidente Nicolás Maduro e os nomes da fragilizada oposição - que ainda vive com o estigma dos péssimos resultados no último pleito que escolheu novos governadores.

A escolha dos prefeitos para os 335 municípios da Venezuela é a última eleição nacional prevista antes da corrida presidencial do próximo ano, na qual Maduro deverá buscar a reeleição apesar da sua implacável impopularidade.

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Mas vários locais de votação não registram grande participação, afirma a agência Associated Press.

"Esperemos que as pessoas estejam dormindo até tarde e que este não seja não fenômeno de abstenção", disse o bibliotecário aposentado José Tomas Franco, que classificou o nível de participação popular em Caracas como "alarmante".

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O pleito ocorre em um cenário de inflação crescente, falta de alimentos e remédios e acusações de que Maduro está minando a democracia no país

Apesar da crise ter feito a popularidade do presidente despencar, a oposição não consegue capitalizar a situação. Nas eleições governamentais de outubro, a oposição levou apenas 5 de 23 estados em um pleito marcado por denúncias de manipulação e compra de votos.

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Três dos quatro maiores partidos da oposição estão boicotando as eleições deste domingo porque afirmam que o sistema eleitoral da Venezuela não é confiável.

A falta de união demostra que os oposicionistas não devem encontrar um nome em comum para as eleições presidenciais, acreditam analistas.

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"A oposição está condenada a tentar encontrar uma solução para seus problemas internos", afirmou Edgard Gutierrez, coordenador da empresa de pesquisas Venebarometro. "É isso ou simplesmente não competem em 2018."

Em 2005, a oposição retirou-se das eleições legislativas e viu o então presidente Hugo Chávez registrar uma vitória acachapante. 

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A votação vem no final de um ano turbulento para a Venezuela, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo, mas foi prejudicada pela queda dos preços do produto e baixas na produção. O país também viu meses de protestos que deixaram mais de 120 mortos no início deste ano, e agora está enfrentando sanções econômicas pela administração do presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto busca refinanciar sua maciça dívida internacional.

O vendedor Raul Contreras afirma não acreditar em grandes mudanças, independentemente do resultado de domingo.

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"Como venezuelanos, estamos muito desapontados com nossos políticos", disse ele. "As coisas só podem mudar aqui após as eleições presidenciais".

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