Unidos contra Trump, iranianos temem dificuldade econômica
O duro posicionamento do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao Irã provocou uma mistura de indiferença e orgulho nacional entre os iranianos, mas muitos estavam preocupados com a provável dificuldade econômica caso um acordo nuclear multinacional se dissolva; em uma grande mudança na política externa dos EUA, Trump disse que pode, em última instância, encerrar o acordo de 2015, no qual Teerã se comprometeu a frear seu programa nuclear em troca de um afrouxamento das sanções; “Quem Trump pensa que é para ameaçar o Irã e os iranianos?”, disse a dona de casa Minou Khosravani, 37 anos, mãe de dois na cidade central de Yazd
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ANCARA (Reuters) - O duro posicionamento do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao Irã provocou, neste sábado, uma mistura de indiferença e orgulho nacional entre os iranianos, mas muitos estavam preocupados com a provável dificuldade econômica caso um acordo nuclear multinacional se dissolva.
Em uma grande mudança na política externa dos EUA, Trump disse na sexta-feira que pode, em última instância, encerrar o acordo de 2015, no qual Teerã se comprometeu a frear seu programa nuclear em troca de um afrouxamento das sanções.
Minutos após o discurso de Trump, o presidente iraniano, Hassan Rouhani, apareceu ao vivo na televisão estatal e descartou qualquer renegociação do acordo assinado pelo Irã. Ele também sinalizou que o Irã se retiraria do acordo, caso não fosse possível preservar os interesses de Teerã.
Cansados da adversidade econômica que já dura anos devido às duras sanções sobre o programa nuclear do Irã, muitos iranianos ainda apoiam, fervorosamente, a decisão dos governantes clericais do país em resistir à pressão dos EUA.
“Não sou a favor do regime. Mas concordo com os governantes contra Trump e sua pressão ilógica sobre o Irã”, disse o cabeleireiro Ziba Ghanbari, 42 anos, e morador de Rasht.
Iranianos em todo o mundo levaram sua raiva às mídias sociais.
O ex-oficial Mostafa Tjzadeh, que passou sete anos como prisioneiro de consciência no Irã, tuitou: “Uma nação, uma mensagem: Não para #Trump. Estamos juntos nessa.”
“Muito tempo na retórica, pouco de substância”, escreveu Niloofar Ghadiri, jornalista em Teerã.
As autoridades iranianas dizem que 15 por cento da força de trabalho do país está desempregada. Muitos empregos formais pagam uma miséria, o que significa que a verdadeira imagem das pessoas sem trabalho adequado para se sustentar é provavelmente muito pior.
A falta de investimento estrangeiro, caso surjam novas sanções, aprofundará a crise do desemprego. As casas de câmbio se recusam a vender dólares americanos devido à incerteza, já que o rial perdeu valor nos últimos dias. Os iranianos temem que novas sanções elevem o preço dos alimentos, incluindo arroz, pão e produtos lácteos.
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