Unidade política e vitória na província de Buenos Aires foram decisivos para êxito da Frente de Todos, diz Martin Granovsky

O enviado especial a Buenos Aires, Jeferson Miola, entrevistou o jornalista Argentino Martín Granovsky, editor do Página 12. Segundo Miola, Martin Granovsky avalia a vitória na província de Buenos Aires é outra chave importante para entender a vitória imponente de Alberto Fernández e Cristina Kirchner na corrida presidencial na Argentina"



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Por Jeferson Miola, enviado especial do 247 a Buenos Aires - Martin Granovsky avalia que além da saturação do povo com o desastre do governo Maurício Macri e a ampla unidade nacional e popular que ganhou forma com a Frente de Todos, a vitória na província de Buenos Aires é outra chave importante para entender a vitória imponente de Alberto Fernández e Cristina Kirchner na corrida presidencial na Argentina.

Essa afirmação faz sentido. A província de Buenos Aires é o território que congrega o maior colégio eleitoral do país, no qual vivem 4 de cada 10 eleitores [40%] de todo país.

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Enquanto a diferença nacional em favor da candidatura de Alberto Fernández sobre o atual presidente Mauricio Macri foi de 8% [48% a 40%], na província de Buenos Aires a diferença contra o macrismo alcançou os 16%.

Granovsky entende que o encerramento do ciclo neoliberal que em menos de 4 anos legou à Artentina uma realidade catastrófica, é uma boa notícia para o próprio povo argentino, como também para os povos da América do Sul e de  toda América Latina.

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Na opinião dele, enquanto em alguns países o conflito social tem se desdobrado em convulsões sociais, na Argentina o conflito foi canalizado para a eleição.

Em entrevista concedida ao Brasil247 [vídeo aqui] na sede do jornal Página12, este talentoso analista político e reconhecido jornalista latino-americano abordou esses assuntos e outros mais, como o papel da ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner [CFK] neste processo vitorioso; a emergência de Axel Kicillof no tabuleiro político; os desafios do próximo governo diante da brutal crise das finanças nacionais; as expectativas de gestão econômica e, finalmente, sobre a presença de Lula no imaginário do povo argentino.

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Martin reconhece que CFK teve a lucidez que garantiu a unidade decisiva para a vitória da Frente de Todos. Na visão dele, houve um avanço em relação ao passado de fragmentação do peronismo e do campo progressista.

Ele destaca que no discurso no ato de comemoração da Frente de Todos perante mais de 400 mil pessoas na Avenida Corrientes, a vice-presidente eleita fez um apelo pela preservação e aprofundamento desta unidade conquistada: “tenhamos em conta que não podemos voltar a perder a unidade, porque quando perdemos a unidade nos derrotamos”, ele lembrou.

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Martin assinala que a fome, chaga social derivada da barbárie neoliberal, entrou no debate eleitoral da Argentina com centralidade pela primeira vez em toda a história do país através do compromisso anunciado por Alberto Fernández em extirpar essa vergonha da sociedade argentina.

Martin vê Alex Kicillof como um fenômeno muito interessante. O ex-ministro de Economia de CFK derrotou a grande aposta da direita argentina, a atual governadora da província de Buenos Aires Maria Eugenia Vidal, com 51% dos votos, e foi eleito governador provincial com uma confortável vantagem de 11%.

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Ele destacou a campanha espartana que Axel fez, percorrendo 180 mil quilômetros nos últimos 2 anos para visitar todas as 135 cidades bonarenses em um automóvel Clio modelo 2008 acompanhado apenas do chefe de campanha [e dono do carro] e da assessora de imprensa.

Neste processo profundo e paciencioso de diálogo e consulta, Kicillof escutou as comunidades para conhecer as necessidades concretas e converteu essa escuta no programa de governo para recuperar a província de Buenos Aires.

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Martin avalia que essa vitória projeta Axel na política nacional, uma vez que ele vai governar a maior província e o coração econômico e financeiro do país – o equivalente ao estado de São Paulo no Brasil.

Quanto à situação econômica e às medidas emergenciais, Martin entende que Alberto Fernández vai negociar com os credores internacionais com soberania e encontrar uma condição favorável para as finanças nacionais. Ele diz que Alberto Fernández tem sinalizado que não quer o default, porque sabe que isso seria custoso para a população.

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Além disso, o presidente eleito sinalizou como prioridade viabilizar um grande pacto social para discutir a recomposição dos ingressos financeiros do Estado argentino, disse Martin.

Este pacto envolveria amplos segmentos da sociedade – sindicatos, setores eclesiásticos, movimentos sociais, empresariado, organizações populares etc – e teria como ponto de partida o compromisso em executar um programa ao estilo do Fome Zero instituído no Brasil em 2003 pelo ex-presidente Lula.

Ele espera que nos próximos 40 dias de mandato que lhe restam, o presidente Maurício Macri tenha a responsabilidade que não teve durante todo seu período de governo, para evitar que a situação do país deteriore ainda mais e comprometa a futura administração eleita neste 27 de outubro.

Emocionado ao falar de Lula, que na festa da vitória foi parabenizado pelo presidente eleito Alberto Fernández e ovacionado pela multidão que entoava “Lula libre, Lula libre”, Martin disse que Lula é um herói popular latino-americano.

Martin, que cultiva com o ex-presidente brasileiro uma amizade e um carinho que é correspondido pelo Lula, disse que Lula é uma pessoa muito afável, um amigo próximo; o dirigente operário que chegou à presidência e um homem solidário que crê na construção popular.

Se Lula sai nas ruas da Argentina, as pessoas vão querer abraçá-lo e Lula vai entregar-se às pessoas e conversar com elas com carinho e interesse, disse Martin. Ele também destaca que Evo Morales, outro líder popular latino-americano de origem humilde, também é muito querido e comemorado na Argentina.

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