Ucrânia sanciona anistia e moeda despenca

Pressionado, o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, assinou nesta sexta-feira uma lei que anistia os manifestantes detidos durante os protestos em massa e rejeitou a legislação anti-manifestações, uma nova aposta para arrefecer a crise política no país; mas a manobra de Yanukovich, que continua politicamente ativo apesar de ter tirado uma licença de saúde na quinta-feira, não deve bastar para encerrar os protestos anti-governo, às vezes violentos, nas ruas de Kiev e outras cidades

Tents of anti-government protesters are seen at Independence Square in central Kiev January 31, 2014. Ukrainian President Viktor Yanukovich has gone on sick leave with a respiratory ailment, his website said on Thursday, with the issue of a new prime mini
Tents of anti-government protesters are seen at Independence Square in central Kiev January 31, 2014. Ukrainian President Viktor Yanukovich has gone on sick leave with a respiratory ailment, his website said on Thursday, with the issue of a new prime mini (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Richard Balmforth

KIEV, 1 Jan (Reuters) - Pressionado, o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, assinou nesta sexta-feira uma lei que anistia os manifestantes detidos durante os protestos em massa e rejeitou a legislação anti-manifestações, uma nova aposta para arrefecer a crise política no país.

Mas a manobra de Yanukovich, que continua politicamente ativo apesar de ter tirado uma licença de saúde na quinta-feira, não deve bastar para encerrar os protestos anti-governo, às vezes violentos, nas ruas de Kiev e outras cidades.

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Muitos manifestantes rejeitaram a anistia de imediato, porque está condicionada à desocupação de edifícios públicos tomados pelos ativistas. Um grupo nacionalista radical ucraniano por trás de boa parte da violência fez novas e duras exigências nesta sexta-feira.

O presidente ucraniano, de 63 anos, que parece cada vez mais isolado no cabo de guerra entre o Ocidente e a Rússia, que reinava sobre a Ucrânia durante o comunismo, desapareceu de vista subitamente na quinta-feira, queixando-se das altas temperaturas e de um problema respiratório agudo.

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Yanukovich sofre pressão desde novembro, quando sua decisão de aceitar um pacote de empréstimos de 15 bilhões de dólares da Rússia, ao invés de assinar um acordo comercial com a Europa, enfureceu muitos de seus compatriotas e desencadeou grandes protestos na capital.

Pelo menos seis pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas em confrontos nas ruas entre manifestantes anti-governo e a polícia, que aumentaram dramaticamente depois que as autoridades endureceram a reação.

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A crise forçou o primeiro-ministro Mykola Azarov a renunciar, e até agora não há sinal de um sucessor. Serhiy Arbuzov, vice de Azarov e amigo próximo de Yanukovich, entrou como premiê interino.

Sublinhando sua influência econômica sobre a Ucrânia, Moscou afirma que um novo governo deve ser instaurado antes de levar adiante a compra já planejada de 2 bilhões de dólares em títulos do governo ucraniano.

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Essa relutância e o caos em geral contribuíram para uma queda de 2,5 por cento no valor da moeda local, a grívnia, em relação ao dólar nesta sexta-feira, seu nível mais baixo em quatro anos e meio.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, planeja se encontrar com líderes da oposição, incluindo o ex-boxeador Vitaly Klitschko, nos bastidores de uma conferência de segurança em Munique na sexta-feira.

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"Nossa mensagem à oposição ucraniana será de apoio total do presidente Obama e do povo norte-americano para seus esforços", disse Kerry em Berlim, nesta sexta, antes das reuniões.

"Mas também diremos a eles que se conseguirem uma agenda de reformas... vamos exortá-los a se ater a ela, porque mais um impasse, ou mais violência que se torne incontrolável não é do interesse de ninguém."

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O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse no Twitter que está acompanhando os desdobramentos em Kiev com preocupação, e que "os militares devem permanecer neutros".

(Reportagem adicional de Pavel Polityuk e Natalia Zinets em Kiev, Michelle Martin e Gareth Jones em Berlim e Adrian Croft em Bruxelas)

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