Ucrânia: Anistia Internacional lamenta indignação causada por relatório, mas mantém suas conclusões

Anistia Internacional disse que suas alegações têm como base quatro meses de investigações que acusam as forças armadas ucranianas de colocar civis em perigo

Presidente Volodymyr Zelensky
Presidente Volodymyr Zelensky (Foto: Reuters)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

RFI - Neste domingo (7), a Anistia Internacional disse lamentar profundamente a indignação com seu relatório sobre a Ucrânia, mas manteve suas alegações com base em quatro meses de investigações que acusam as forças armadas ucranianas de colocar civis em perigo. O presidente Volodymyr Zelensky, por sua vez, acusa a ONG de buscar "anistia para o Estado terrorista russo". A RFI ouviu a porta-voz da ONG sobre o polêmico documento. 

O relatório provocou a demissão da responsável pela Anistia Internacional (AI) na Ucrânia, Oksana Pokalchuk, ucraniana, que censura o documento por ter veiculado involuntariamente propaganda russa. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, se mostrou indignado com as acusações da ONG, acusando-a de não buscar a verdade, mas de criar um falso equilíbrio entre criminoso e vítima.

continua após o anúncio

Em sua renúncia, Pokalchuk afirmou que "se você não vive em um país invadido por ocupantes que o desmembram, provavelmente não entende o que significa condenar um exército de defensores". "Discordo dos valores dos diretores da Anistia Internacional, e por isso decidi deixar a organização", acrescentou.

Por sua vez, na sexta-feira (5), a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, confirmou integralmente as conclusões do relatório, publicado no dia 4.

continua após o anúncio

A Anistia lembrou neste domingo que a sua prioridade "neste conflito e em qualquer outro é garantir a proteção dos civis". "Era nosso único objetivo quando publicamos este último relatório investigativo", afirmou Callamard. "Embora mantenhamos amplamente nossas conclusões, lamentamos a dor causada", continuou. 

"As leis de guerra existem em parte para proteger os civis e é por isso que a Anistia Internacional insta os governos a respeitá-las", acrescentou. A ONG destacou que nada do que foi documentado "justifica os abusos cometidos pelos russos".

continua após o anúncio

"Coletamos evidências"

O documento foi baseado em evidências coletadas no final de extensas investigações respeitando e seguindo os mesmos padrões rigorosos e diligentes aos quais todo o trabalho da organização está submetido, disse a porta-voz da AI, Yolanda Vega, à RFI.

"Nossas equipes de investigação, como vêm fazendo desde o início da invasão russa, estão trabalhando de forma muito sólida, ou seja, de acordo com os princípios básicos de todo o trabalho da Anistia, que são: independência, imparcialidade e os fatos. E neste caso não foi de outra forma, coletamos evidências que mostram que o que está escrito no relatório é verdade. As equipes de investigação que estiveram aqui na Ucrânia, nestas regiões, viram em pelo menos cinco localidades tropas ucranianas usarem hospitais e centros como bases", diz.

continua após o anúncio

"Nossas equipes verificaram que ainda havia atividade presencial, e isso é proibido. O uso de hospitais ou centros médicos pelas Forças Armadas em um conflito é proibido pelo direito internacional. Eles também visitaram 29 escolas e dessas 29 escolas, em 22 também confirmaram a presença de atividade militar das forças ucranianas", disse ela à RFI.

Rússia já havia sido acusada

Em junho deste ano, a Anistia Internacional acusou a Rússia de crimes de guerra na Ucrânia, dizendo que centenas de vítimas morreram em incessantes ataques em Kharkiv, muitos deles realizados com bombas de fragmentação.

continua após o anúncio

Intitulado "Todo mundo pode morrer a qualquer momento", o relatório mostrava como as forças russas mataram e causaram imensos danos ao bombardear bairros residenciais em Kharkiv desde o início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.

Sobre o atual relatório, Zelensky reagiu furiosamente, dizendo que a ONG colocou a vítima e o agressor em pé de igualdade. 

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247