Temer desencoraja mulheres e minorias na política, diz canadense

Em entrevista à BBC, Jennifer Berdahl afirma que escolha de ministros 'cria a impressão de que só brancos e homens têm chances'

Em entrevista à BBC, Jennifer Berdahl afirma que escolha de ministros 'cria a impressão de que só brancos e homens têm chances'
Em entrevista à BBC, Jennifer Berdahl afirma que escolha de ministros 'cria a impressão de que só brancos e homens têm chances' (Foto: Leonardo Attuch)


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Do Opera Mundi – A decisão do governo Michel Temer de nomear apenas homens brancos para os ministérios desencoraja mulheres e minorias a buscar espaços na política do Brasil, afirmou à BBC neste sábado a professora Jennifer Berdahl, da Universidade de British Columbia, no Canadá.

De acordo com pesquisadora canadense, nomeação de Michel Temer “cria a impressão de que só brancos e homens têm chances”

A pesquisadora, que é especialista em diversidade e igualdade de gênero no trabalho, disse que a nomeação feita por Temer “é mensagem realmente má e perigosa que ele manda à população”.

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“Numa democracia, a ideia é ter líderes que representem a população e seus interesses. Isso é difícil se não houver ninguém que se sentiu na pele de uma mulher ou de uma minoria”, diz.

De acordo com ela, decisão “cria a impressão de que só brancos e homens têm chances”.

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“É desejável que só um quarto dos brasileiros [proporção aproximada de homens brancos no total da população] pensem que podem se tornar líderes?”, questiona Jennifer, que prossegue. “Eles são uma minoria e, no entanto, dominam completamente o governo”, diz.

A especialista disse concordar que escolhas sejam feitas baseadas em mérito, que foi o argumento utilizado por Michel Temer para as nomeações. Entretanto, ela acredita que “o mérito é igualmente distribuído entre gêneros e raças, portanto os percentuais de mulheres e minorias em posição de liderança deveriam seguir os do resto da população".

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“Se você só nomeia homens brancos, ou você acredita que só eles têm méritos, ou o sistema na verdade não é baseado no mérito”, diz.

A pesquisadora considera também que a diversidade contribuiria para aumentar a qualidade do trabalho e das decisões do governo.

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“Sempre que há cabeças diferentes na mesa, com visões diferentes sobre como o mundo opera, ideias mais diversas tendem a surgir”, disse.

Sobre políticas de gênero, Jennifer afirmou que há homens que se preocupam e defendem os direitos das mulheres, mas entende que as mulheres tendem a ser mais sensíveis em relação a esse tema.

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"Se você for pegar 50 pessoas aleatórias, as mulheres serão mais sensíveis à causa das mulheres que os homens, simplesmente porque elas precisam ser", disse.

Ao comentar sobre o ministério de seu país, considerado o mais diverso da história do Canadá com igualdade no número entre homens e mulheres e com presença de membros indígenas e de comunidades imigrantes, Jennifer afirmou que houve “murmúrios” de setores conservadores.

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No entanto, segundo a professora, “acho que as pessoas aceitaram o argumento do (primeiro-ministro) Justin Trudeau: o de que ele teria um ministério assim porque afinal estávamos em 2015”.

“Os ministros estão representando os percentuais de eleitores de cada grupo. As crianças poderão vê-los como modelos e pensar: ‘eu posso estar lá’”, disse.

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