Talibãs desmentem EUA e negam debate sobre cessar-fogo no Afeganistão
Os talibãs negaram nesta sexta-feira (8), de forma indireta, terem abordado um possível cessar-fogo no Afeganistão e um diálogo com o governo de Cabul durante as conversações em Doha com representantes norte-americanos, como afirmou Washington
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247, com AFP - Os talibãs negaram nesta sexta-feira (8), de forma indireta, terem abordado um possível cessar-fogo no Afeganistão e um diálogo com o governo de Cabul durante as conversações em Doha com representantes norte-americanos, como afirmou Washington.
Ao contrário dos aspectos "externos" do conflito, como "a retirada de todas as forças de ocupação do Afeganistão e a proibição para o Afeganistão de prejudicar os outros", as "demais questões de caráter interno e que não estão relacionadas com os Estados Unidos não integram o objeto das discussões", afirmou o porta-voz dos Talibãs, Zabihula Mujahid, em um comunicado.
Na terça-feira, o porta-voz da diplomacia estadunidense, Robert Palladino, havia afirmado o contrário em Washington.
As discussões de Doha abordam "os quatro pontos vinculados entre si que serão parte de qualquer acordo futuro: antiterrorismo, retirada das tropas (norte-americanas), diálogo afegão e cessar-fogo", indicou.
O novo ciclo de negociações começou em 25 de fevereiro. O processo conta pela primeira vez com a presença de um dos principais dirigentes talibãs, o mulá Abdul Ghani Baradar, cofundador do movimento, e é um dos mais longos com a participação das duas partes.
Zabihula Mujahid afirmou que os diálogos buscam "definir os detalhes das duas questões abordadas em um acordo na última série de negociações em janeiro", ou seja, a retirada dos soldados norte-americanos e a promessa talibã de impedir que o Afeganistão sirva de base terrorista para a execução de ataques no exterior.
Os diálogos foram interrompidos nesta sexta-feira, dia de descanso para os muçulmanos, indicou o porta-voz talibã em outra mensagem, mas serão retomados no sábado.
Os talibãs sempre rejeitaram uma negociação com o governo de Cabul, que chamam de "marionete" de Washington.
"Foram registrados avanços, mas ainda resta muito a fazer", afirmou Palladino durante a semana.
Na quinta-feira, o general Joseph Votel, comandante das forças estadunidenses no Oriente Médio, declarou que a atual situação no Afeganistão não condiz com uma retirada das forças da coalizão.
Uma retirada deverá estar acompanhada por "avanços políticos", ressaltou o militar americano, em referência às negociações, que não contam com a participação do governo afegão.
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