Suicídios nas tropas americanas já superam mortes em combate no Afeganistão

Na comparação com 2010, número de oficiais que se mataram subiu 25%

Suicídios nas tropas americanas já superam mortes em combate no Afeganistão
Suicídios nas tropas americanas já superam mortes em combate no Afeganistão (Foto: Divulgação)


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Opera Mundi - Em mais de 150 dias, foram reportados 154 suicídios. O número de soldados norte-americanos que morreram por esta causa desde o início deste ano já ultrapassa o número de tropas mortas em combate na guerra do Afeganistão em 2012, confirmam números oficiais disponibilizados pelo Departamento da Defesa dos EUA. Em média, entre Janeiro e Junho de 2012, o Exército norte-americano perdeu uma pessoa por dia.

No mesmo período, o número de tropas que morreram no Afeganistão foi de menos de 50%, o equivalente a 139, segundo o site icasualties.org, que reúne a contabilidade das mortes em combate.

A taxa de suicídio de tropas se encontra agora num nível histórico diante dos valores do período homólogo de 2011. Trata-se de uma elevação de 25% quando comparada com 2010. Nunca, na última década em que os Estados Unidos estiveram envolvidos em duas guerras (no Iraque e Afeganistão), o ritmo de suicídios entre militares foi tão elevado.

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O Departamento de Defesa manifestou extrema preocupação com a tendência de subida do número de suicídios, que é verificado desde 2006 e atinge picos em 2009 e agora. Antes de ter sido feita a contagem do primeiro semestre do ano, o próprio secretário de Defesa, Leon Panetta, tinha alertado as chefias sobre a questão, escrevendo numa nota interna na qual admite que "o suicídio de militares é um dos problemas mais complexos e urgentes" das forças militares norte-americanas.

Exército combate estigma

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"É preciso continuar a trabalhar para eliminar o estigma de quem sofre de stress pós-traumático ou outros problemas mentais para que esses indivíduos procurem ajuda especializada", dizia o documento, citado pela Associated Press.

Panetta escreveu ainda que os comandantes têm uma responsabilidade adicional e "não podem tolerar qualquer ação que leve ao menosprezo, à humilhação ou à ostracização de qualquer indivíduo, principalmente daqueles que necessitem de tratamento".

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Num esforço para gerir os problemas individuais e sociais provocados pelo esforço de guerra da última década o Exército norte-americano lançou programas de saúde mental, de prevenção do abuso de álcool e drogas, assim como de aconselhamento jurídico e financeiro para os soldados e as suas famílias. Além do aumento dos suicídios, verifica-se também uma subida nos casos de toxicodependência, de violência sexual e doméstica e de outros crimes praticados por soldados.

Como comentava o director-executivo da associação de Soldados Veteranos da América e do Afeganistão, Paul Rieckhoff, o número de suicídios entre militares no activo é apenas "a ponta visível do icebergue". Um inquérito conduzido junto aos 160 mil membros da sua organização revelava que 37% conhecia alguém que havia se matado.

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As causas para o problema estão identificadas. Os estudos realizados pelo Pentágono demonstram que os anos de deslocamentos sucessivos para a guerra elevam a probabilidade de os soldados desenvolverem um quadro de stress pós-traumático. Especialistas dizem que a situação econômica dos EUA também poderá estar contribuindo para o aumento da angústia e do desespero das tropas norte-americanas e respectivas famílias.

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