Social-democrata derrota direita em eleições presidenciais do Panamá

O social-democrata Laurentino Cortizo venceu a eleição presidencial de domingo (5) no Panamá, com uma vantagem de dois pontos sobre o candidato da direita Rómulo Roux, que era apoiado pelo ex-presidente Ricardo Martinelli, atualmente na prisão

Social-democrata derrota direita em eleições presidenciais do Panamá
Social-democrata derrota direita em eleições presidenciais do Panamá (Foto: REUTERS/Carlos Jasso)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

AFP - O social-democrata Laurentino Cortizo venceu a eleição presidencial de domingo (5) no Panamá, com uma vantagem de dois pontos sobre o candidato da direita Rómulo Roux, que era apoiado pelo ex-presidente Ricardo Martinelli, atualmente na prisão.

A vitória do ex-ministro Cortizo foi confirmada pelo presidente do Tribunal Eleitoral, Heriberto Arauz, através de um telefonema ao vencedor que foi transmitido pelos meios de comunicação.

"É o vencedor virtual ao cargo de Presidente da República para o quinquênio 2019-2024", disse Araúz a Cortizo.
"Com humildade recebo o anúncio, um anúncio que é importante para o país, um anúncio de grande responsabilidade", respondeu Cortizo, também conhecido como "Nito". "Estou preparado com uma equipe para assumir as rédeas do país desde o primeiro dia de julho deste ano", acrescentou.

continua após o anúncio

"O país precisa unir forças para resolver os grandes desafios que vamos encontrar", ressaltou Cortizo, que foi felicitado pelo atual presidente, Juan Carlos Varela.

Com mais de 95% das urnas apuradas, Cortizo obteve 33% dos votos, seguido de Roux, com 31%. Ambos são opositores de Varela, que termina seu mandato atingido pelo declínio econômico e escândalos de corrupção e que não disputou a eleição porque a Constituição do Panamá não permite reeleição imediata.

continua após o anúncio

"Nós, hoje (domingo), não vamos aceitar nenhum resultado", disse Roux antes do anúncio do órgão eleitoral. Temos "informações sobre irregularidades", acrescentou ele.

No entanto, o próprio Martinelli parabenizou Cortizo ao amanhecer. "Quero parabenizar Nito e o (Partido da Revolução Democrática) PRD por sua vitória não oficial. Eles têm uma grande responsabilidade de unir os panamenhos e nos tirar do buraco para onde nos levou Varela", tuitou Martinelli.

continua após o anúncio

Em terceiro lugar ficou o candidato independente Ricardo Lombana, com 19,7% dos votos.
Cortizo era o favorito das pesquisas sobre Roux, a quem Martinelli, que está sendo julgado pela acusação de espionar opositores durante seu mandato (2009-2014) - expressou apoio da prisão.

O bom desempenho de Roux demonstra que Martinelli "continua sendo um fator inegável na política do Panamá, esteja livre ou privado de liberdade", disse à AFP Claire Nevache, vice-presidente do Centro de Iniciativas Democráticas (ICW).

continua após o anúncio

Sete candidatos aspiravam à presidência, embora as pesquisas sempre dessem preferência a Cortizo, Roux e, mais recentemente, a Lombana.
Advogado e jornalista de 45 anos, Lombana ganhou destaque nos últimos meses de campanha com seu discurso furioso contra a corrupção e os partidos tradicionais. Ele aceitou a derrota mais cedo e anunciou sua intenção de colaborar com o vencedor.

Sua ascensão coincidiu com o descontentamento público com os escândalos no Legislativo envolvendo deputados de todos os partidos, e com a falta de resposta da Justiça aos chamados "Papéis do Panamá", escândalo do pagamento de propinas da construtora brasileira Odebrecht e outros casos de corrupção local.

continua após o anúncio

"Lombana surgiu como uma das forças de oposição mais importantes do país", considerou à AFP James Aparicio, diretor do jornal Metro Libre.

Os partidos tradicionais PRD, de Cortizo, e Mudança Democrática, de Roux, com suas máquinas, conseguiram, porém, arrematar a maioria dos votos.
"Nito" foi ministro do Desenvolvimento Agrário durante o governo de Martín Torrijos (2004-2009), mas renunciou ao cargo devido a discrepâncias com o Tratado de Livre Comércio negociado entre o Panamá e os Estados Unidos.

continua após o anúncio

No entanto, neste domingo, antes de vencer as eleições, suavizou sua posição e disse: "Quer queiramos ou não, é um tratado que nós panamenhos temos que respeitar".

Ao mesmo tempo, ele aproveitou a oportunidade para afirmar que Washington é o "principal parceiro" do Panamá, embora também fosse a favor de "fortalecer" as relações do país com a China.

continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247