Sobre Marco Archer e sua pena de morte
Tirar a vida de um ser humano, em pleno século XXI, é uma punhalada nas costas dos direitos humanos e da democracia
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Sensibilizada pela morte do brasileiro executado no exterior, a presidenta Dilma Rousseff lançou uma nota de repúdio à atitude do presidente da Indonésia, Joko Widodo. Não somente, retirou o embaixador brasileiro daquele país de maneira a dar veemência à sua insatisfação. Ponto para a Dilma e um prato cheio para a grande massa reacionária que se formou no Brasil nos últimos anos.
A discussão sobre a pena de morte é antiga e enfadonha. Independente de quem seja o criminoso e seu delito, a morte provocada como meio de punição retoma os séculos obscuros que a humanidade vivenciou durante a Idade Média. Não somente, retoma os comentários monstruosos lidos em qualquer página reacionária do Facebook e demais redes sociais.
Marco Archer, brasileiro, casado, “pai de família” e traficante internacional de drogas. Certo? Errado! Archer serviu de mula para um grande traficante que o pagou cerca de R$10.000,00 para transportar a droga até Jacarta. Ninguém se pergunta quem seria este grande traficante ou a quem ele é ligado. Archer pagou o pato, e pagou caro.
Matar Archer não coibirá o trafico internacional de drogas, muito menos servirá de exemplo para outros. Tirar a vida de um ser humano, em pleno século XXI, é uma punhalada nas costas dos direitos humanos e da democracia. O brasileiro cometeu um crime, deveria ter sido punido de maneira cabível à altura do delito, mas nada justifica seu assassinato.
Sobre a guerra às drogas, esta apenas vitimou mais um de muitos que continuarão com o comércio ilegal de entorpecentes.
Em um dos poucos textos lúcidos que vi no Facebook, um trecho me chamou a atenção: “Qual a diferença entre uma pessoa que leva drogas ao consumidor e um garçom servindo uma dose de conhaque?”
Longe de ser um mártir, mas Archer, com sua morte, abriu uma discussão ampla sobre a ineficiência do combate ao tráfico e a barbárie da pena de morte.
Reflitamos.
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