Síria: negociações de paz terminam em impasse

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que as autoridades sírias não tinham desculpa pela demora no envio de seu arsenal de gás venenoso para o exterior; já o mediador da Organização das Nações Unidas, Lakhdar Brahimi, afirmou que a delegação opositora estará de volta em 10 de fevereiro, mas os delegados de Assad lhe disseram que terão de consultar o governo em Damasco antes de concordar em retorna

U.N.-Arab League envoy for Syria Lakhdar Brahimi pauses during a news conference at the United Nations European headquarters in Geneva January 31, 2014.   REUTERS/Denis Balibouse (SWITZERLAND - Tags: POLITICS)
U.N.-Arab League envoy for Syria Lakhdar Brahimi pauses during a news conference at the United Nations European headquarters in Geneva January 31, 2014. REUTERS/Denis Balibouse (SWITZERLAND - Tags: POLITICS) (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Khaled Yacoub Oweis e Stephanie Nebehay

GENEBRA, 31 Jan (Reuters) - A primeira rodada de uma contenciosa semana de conversações de paz para a Síria terminou nesta sexta-feira sem nenhum avanço quanto ao fim da guerra civil e a delegação do governo não manifestou se retornará na próxima etapa, dentro de dez dias.

Para tornar o quadro ainda mais sombrio, os Estados Unidos e a Rússia discordaram sobre o ritmo da transferência de armas químicas pela Síria e o governo norte-americano acusou as autoridades sírias de intencionalmente atrasarem o cronograma em várias semanas. A Rússia, principal aliada do presidente sírio, Bashar al-Assad, rejeitou essa acusação.

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O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que as autoridades sírias não tinham desculpa pela demora no envio de seu arsenal de gás venenoso para o exterior, como parte de um acordo firmado no ano passado. O governo russo declarou que Assad agiu de boa fé e o prazo final de 30 de junho para eliminação de todos os agentes químicos permanece viável.

Já o mediador da Organização das Nações Unidas, Lakhdar Brahimi, que vem buscando incansavelmente um acordo de paz que outros diplomatas consideram ser uma "missão impossível", afirmou que a delegação opositora estará de volta em 10 de fevereiro, mas os delegados de Assad lhe disseram que terão de consultar o governo em Damasco antes de concordar em retornar.

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"Eles não me disseram que estão pensando em não vir. Pelo contrário, eles falam que viriam, mas precisam consultar sua capital", declarou Brahimi em entrevista à imprensa.

Brahimi listou dez pontos simples em que sentiu que os dois lados estão de acordo e afirmou pensar haver mais terreno comum do que as duas partes reconhecem.

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Mas nenhum dos lados cedeu milímetros em suas posições: a oposição quer que as conversações tenham como foco um governo de transição que remova Assad do poder; o governo quer conversar sobre o combate ao "terrorismo" - uma palavra que usa para se referir a todos os inimigos armados.

"Na realidade, o progresso é muito lento, mas as partes participaram de um modo aceitável", disse Brahimi.

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O ministro sírio das Relações Exteriores, Walid al-Moualem, culpou a falta de resultados tangíveis pelo que qualificou como imaturidade e composição estreita da delegação da oposição e suas "ameaças de implodir" as conversações, bem como a flagrante interferência dos EUA.

"Há enormes divisões entre eles (a delegação da oposição) e sobre o que está acontecendo na Síria. Eles não estão em contato com o que está ocorrendo na Síria - e não têm nenhum controle sobre ninguém no terreno", disse Moualem aos repórteres.

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Os Amigos da Síria, uma aliança predominantemente de países ocidentais e Estados do Golfo Pérsico que apoiam os inimigos de Assad, culpam o governo sírio pela falta de avanços diplomáticos.

"O regime é responsável pela falta de progresso real na primeira rodada de negociações. Não deveria obstruir mais negociações substanciais e tem de se engajar construtivamente na segunda rodada de negociações", disseram eles em comunicado.

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O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Edgar Vasquez, diz que o governo sírio "continua a tentar enganar os outros" com sua posição de não comprometimento sobre futuras conversações, enquanto a oposição mostrou ser séria ao se comprometer a voltar à mesa.

"O povo da Síria está assistindo e vai determinar quem realmente tem seus melhores interesses no coração. O povo sírio, que sofreu muito, merece um engajamento construtivo agora e na próxima rodada", disse Vasquez.

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(Reportagem adicional de Mariam Karouny, em Genebra; de Lesley Wroughton, em Berlin; de Oliver Holmes e Stephen Kalin, em Beirute; de Missy Ryan, em Varsóvia; e de Steve Gutterman, em Moscou)

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