Serra ignorou pareceres para dar passaporte diplomático a pastor
Pastor Samuel Cássio Ferreira é investigado na Lava Jato por supostamente lavar R$ 250 mil de propina destinada ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ); o dinheiro teria sido depositado em conta da igreja Assembleia de Deus, cujo diretor registrado na Receita é Samuel; Supremo determinou a remessa do inquérito para o juiz Sérgio Moro, em Curitiba (PR); a área técnica do ministério foi de forma unânime contrária à concessão dos passaportes; “não responde pela instituição no Brasil”, diz um parecer; o Itamaraty afirma que o ministro levou em conta o princípio de isonomia para conceder passaportes diplomáticos a religiosos, uma vez que cardeais da Igreja Católica os recebem
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247 - O chanceler do governo interino, José Serra, ignorou três pareceres de áreas técnicas do Itamaraty e renovou a concessão de passaporte diplomático ao pastor Samuel Cássio Ferreira e da sua mulher, Keila Campos Ferreira.
Samuel é investigado na Lava Jato por supostamente lavar R$ 250 mil de propina destinada ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O dinheiro teria sido depositado em conta da igreja Assembleia de Deus, cujo diretor registrado na Receita é Samuel. O Supremo determinou a remessa do inquérito para o juiz Sérgio Moro, em Curitiba (PR).
Segundo reportagem de Vinicius Sassine, Serra assinou a portaria que renovou os passaportes diplomáticos por três anos em 17 de maio, cinco dias depois de ser nomeado ministro pelo presidente interino, Michel Temer, e um dia antes de sua posse.
A área técnica do ministério foi de forma unânime contrária à concessão dos passaportes. “Não há explicação clara” sobre a concessão, disse o chefe da Divisão de Documentos de Viagem, Luiz Otávio Ortigão, em 5 de maio. Segundo ele, Samuel é dirigente só da Assembleia no Brás e “não responde pela instituição no Brasil”.
O Itamaraty disse que o ministro levou em conta o princípio de isonomia para conceder passaportes diplomáticos a religiosos, uma vez que cardeais da Igreja Católica os recebem. Em 2011, diz o Itamaraty, restringiu-se a benesse a dois passaportes a “dirigentes máximos” de denominações religiosas (leia aqui).
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