Serra exalta nova fase da relação Brasil-EUA

“Foi uma conversa excelente, franca e produtiva. O entrelaçamento econômico é impressionante. O volume de comércio entre Brasil e Estados Unidos é de R$50 bilhões e a qualidade desse comércio é boa para ambos os países. Setenta e cinco por cento das nossas exportações para os Estados Unidos são de produtos manufaturados. Isso envolve mais valor agregado, portanto, mais emprego”, disse o chanceler interino José Serra após encontro com John Kerry, que aproveitou a vinda ao Brasil para criticar a Venezuela

U.S. Secretary of State John Kerry walks with U.S. Consul General in Rio de Janiero James Stoy
 
U.S. Secretary of State John Kerry walks with U.S. Consul General in Rio de Janiero James Stoy   (Foto: Leonardo Attuch)


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Flávia Villela - Repórter da Flávia Villela

Corrupção, comércio, meio ambiente, zika e Venezuela foram alguns dos temas tratados hoje (5) entre o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores, José Serra, no Palácio Itamaraty, no centro do Rio.

Kerry disse que Brasil e Estados Unidos são parceiros naturais e que o objetivo do encontro bilateral foi aprofundar esta relação. “Foi uma oportunidade muito importante, pois temos muito a conversar e a fazer juntos”, disse o norte-americano após afirmar que, nos últimos anos, questões políticas não permitiram que os dois países potencializassem a parceria, sem entrar em detalhes. “Queremos incrementar nosso mercado bilateral nas áreas de serviços e produtos e há muitas formas de fazer isso”, acrescentou.

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O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores, José Serra, em pronunciamento após encontro

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e o ministro das Relações Exteriores, José Serra, em pronunciamento após encontro Ministério das Relações Exteriores 

John Kerry citou ações conjuntas na área ambiental, como a preservação dos oceanos e disse esperar que o Brasil ratifique em breve o Acordo de Paris, sobre mudanças do clima, firmado por 190 países no fim do ano passado. No caso do governo brasileiro, a ratificação depende do aval do Senado. 

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Serra, por sua vez, disse que o encontro de hoje representa o primeiro passo de uma nova fase nas relações entre Brasil e Estados Unidos, que deve facilitar a ampliação do comércio bilateral.

“Foi uma conversa excelente, franca e produtiva. O entrelaçamento econômico é impressionante. O volume de comércio entre Brasil e Estados Unidos é de R$50 bilhões e a qualidade desse comércio é boa para ambos os países. Setenta e cinco por cento das nossas exportações para os Estados Unidos são de produtos manufaturados. Isso envolve mais valor agregado, portanto, mais emprego”, analisou.

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O chanceler brasileiro chamou a atenção para o fato de que os EUA são os principais investidores externos do Brasil, com US$ 116 bilhões. “Já os investimentos brasileiros nos Estados Unidos saltaram de US$7,3 bilhões em 2009 para US$ 22,4 bilhões em 2014”, citou.

Segundo o ministro, os dois países também pretendem trabalhar juntos na pesquisa para o desenvolvimento de vacina contra o vírus Zika.

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Política e Venezuela

Os esforços do Brasil para combater a corrupção foram elogiados por Kerry, que também comentou a situação política e econômica na Venezuela. Segundo o representante norte-americano, o governo de Nicolás Maduro precisa entrar em acordo com a oposição, soltar os presos políticos, ter maior comprometimento democrático e aceitar ajuda humanitária de outros países.

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“Que não sobreponha um partido sobre o outro, mas sim o povo venezuelano, que está sofrendo enormemente devido à crise econômica, entre outros desafios.”

Kerry lembrou que passou grandes momentos em sua primeira visita ao Rio de Janeiro, em 1992, para a Conferência Eco 92, e que na época descobriu “que a vida parece melhor depois de uma caipirinha”.

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Sobre a preocupação internacional com a segurança do Rio para a Olimpíada, o norte-americano disse que se sente seguro na cidade e que tem certeza que os Jogos serão um sucesso.

Serra e Kerry participam da recepção oferecida pelo presidente interino Michel Temer para cerca de 40 autoridades estrangeiras e outros convidados, entre ministros e integrantes do Comitê Olímpico no Palácio Itamaraty.

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A recepção teve um breve cocktail e foi o primeiro dos quatro eventos a serem realizados no palácio durante os Jogos, com custo de aproximadamente R$ 2,7 milhões, segundo informações publicadas ontem (4) no Diário Oficial da União.

Da recepção, os convidados seguirão em comboio para o Maracanã, palco da cerimônia de abertura da Rio 2016, marcada para as 20h. Temer, Kerry e o presidente da França, François Hollande, terão escolta especial, e os demais convidados irão em ônibus.

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