Senador denuncia novo golpe contra a paz na Colômbia

O governo de extrema direita descumpre mais um compromisso dos acordos de paz

Senador Iván Cepeda
Senador Iván Cepeda (Foto: Pátria Latina)


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247 - O senador do partido de oposição Polo Democrático Alternativo, Iván Cepeda, afirmou nesta segunda-feira (26) que o atual governo da Colômbia desferiu outro golpe no Acordo de Paz, ao eliminar a possibilidade de criação da Jurisdição Agrária, informa a Prensa Latina.

A esse respeito, Cepeda fez alusão a um artigo do jornal El Espectador, elaborado por Bryan Triana Ancinez e Milton Alberto Valencia, pesquisadores do Observatório para a Restituição e Regulamentação dos Direitos de Propriedade Agrária, onde explicam o descumprimento desse compromisso assumido no Acordo de paz.

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Os analistas destacam em seu trabalho que a jurisdição agrária é uma especialidade da administração de justiça que trata de questões relacionadas à proteção da posse da terra, resolução de conflitos de uso e posse e promoção da regularização de direitos.

Já a justiça civil ordinária, permeada pelo ritualismo de forma, exige a contratação de advogado, o pagamento de peritos (topógrafos, engenheiros agrônomos, entre outros) para a coleta de provas e procedimentos nas entidades administrativas, explicam no texto.

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Todos esses procedimentos exigem recursos financeiros, contatos em diferentes entidades para agilizar os processos e um conhecimento básico das normas que regulam os direitos de propriedade, três elementos que muitos camponeses não possuem, afirmam.

Com base nisso, destacam que a expropriação de terras é uma prática na Colômbia que combina o uso da violência com mecanismos legais que, por vezes, contam com a participação ativa de funcionários públicos.

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Ressaltam que a jurisdição civil ordinária não foi capaz de enfrentar este fenômeno e os recursos contidos no Código Civil tornaram-se uma promessa impraticável para muitos colombianos.

Afirmam que nas últimas legislaturas dois projetos de lei para criar jurisdição agrária sucumbiram no Congresso com maioria favorável ao governo.

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"Por enquanto, este evento se junta à longa lista de violações do Acordo de Paz por parte do Estado, principalmente nos pontos um e cinco", enfatizam os pesquisadores. A Reforma Rural Integral constitui o primeiro ponto do Acordo final para que cesse o conflito e a construção de uma paz estável e duradoura, firmada entre o Estado e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. O objetivo deste ponto é lançar as bases para a transformação do campo através da melhoria das condições de vida e de trabalho da população rural, especialmente dos camponeses, suas comunidades e povos étnicos. O ponto cinco trata do Sistema Integral de Verdade, Justiça, Reparação e Não Repetição, inclui a Jurisdição Especial de Paz e o compromisso com os direitos humanos, o que implica impedir as expropriações de terras.

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