Sem proclamação de vitória eleitoral no Peru, Castillo é vítima de campanha racista
Enquanto o Peru ainda aguarda o anúncio oficial do resultado das eleições presidenciais, a perspectiva da vitória do socialista Pedro Castillo causou uma explosão de campanhas racistas por parte de grupos da extrema direita no país
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
RFI - Com palavras de ordem racistas e ameaças, manifestantes da extrema direita têm realizado marchas pelas ruas de Lima para protestar contra a eleição do presidente socialista Pedro Castillo.
Castillo tem sido chamado de “terruco”, o que no Peru é um sinônimo de terrorista, usado pela direita para desqualificar apoiadores da esquerda. É também um termo com forte conotação racista e classista, pois é usado pejorativamente para identificar comunidades rurais e andinas.
São esses grupos populares que votaram em massa em Castillo – garantindo sua vitória ainda não oficializada. Por extensão, Castillo também é chamado de “terruco” pelos opositores de direita.
Em um país marcado profundamente por desigualdades e exclusões calcadas na questão racial, a vitória eleitoral de Castillo, um professor de origem rural e andina, representa o triunfo de um Peru marginalizado, de populações menosprezadas pelas classes ricas do país. Visto como esperança pelos grupos mais pobres do país, o socialista é entendido como uma ameaça pelos altas castas peruanas, o que fez aflorar um racismo histórico em discursos claramente violentos.
“Há uma campanha abertamente racista contra Pedro Castillo e seus apoiadores. Há de se levar em conta que o triunfo de Castillo é plebeu, popular, provinciano e andino. A parte andina do Peru votou em peso por Castillo”, afirma o sociólogo Alberto Adrianzén.
“[Este voto] também deve ser entendido como um voto contra Lima, onde Keiko Fujimori obteve o apoio de mais de 60% dos eleitores. É por isso que tem aparecido grupos abertamente racistas, com bandeiras fascistas, dizendo que vão matar os comunistas”, completa o sociólogo.
País aguarda resultado há três semanas
Desde 11 de junho, quando Castillo reivindicou vitória nas eleições presidenciais, Keiko Fujimori, sua oponente, têm denunciado uma suposta fraude e pedido a anulação do pleito. A Missão de Observação Eleitoral da Organização de Estados Americanos (OEA) descartou irregularidades.
“Acredito que o objetivo de inflamar o racismo é buscar, como quer a direita, um confronto contra Castillo e seus eleitores. Creio que o fujimorismo busca uma reação violenta da população”, analisa Adrianzén.
No último dia 24, houve um confronto entre apoiadores de Castillo e de Fujimori diante da sede do tribunal nacional eleitoral peruano, onde as atas de votação estão sendo revisadas após pedido da candidata da direita.
A polícia abriu nessa quarta (30) uma investigação para determinar se a morte de um simpatizante de Castillo está relacionada ao confronto.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247