Segundo Rossi, o mundo "ficou de mal" com o Brasil

Agora é a Economist Intelligence Unit que aponta fragilidades da economia brasileira; entre elas, baixa produtividade, rigidez trabalhista, mão de obra pouco qualificada e aparelhamento das agências reguladoras

Segundo Rossi, o mundo "ficou de mal" com o Brasil
Segundo Rossi, o mundo "ficou de mal" com o Brasil


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247 - O jornalista Clóvis Rossi, um dos mais experientes do País, avalia que o mundo "ficou de mal com o Brasil" e traz à baila novos argumentos, segundo ele, melhores do que os da revista The Economist. Agora, é a Economist Intelligence Unit, ligada ao mesmo grupo, que aponta fragilidades da economia brasileira. Leia:

O mundo ficou de mal com o Brasil

Agora, até as centrais sindicais criticam a política econômica que o capital também ataca

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O ANO de 2012 acabará sendo aquele em que o mundo -ao menos o mundo das finanças globais e parte do mundo acadêmico- ficou de mal com o Brasil de Dilma Rousseff.

A mais recente demonstração aparece em texto da Economist Intellinge Unit, o braço de pesquisas da publicação que, faz pouco, deu como "moribunda" a economia brasileira e ainda pediu a cabeça de Guido Mantega, como se fosse ele, e não a presidente, a responsável pela política econômica.

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Antes mesmo que o Banco Central reduzisse para esquelético 1% o crescimento do Brasil, a EIU já o havia feito.

Parêntesis: é engraçada essa história de, aos 44 minutos do segundo tempo, os analistas mudarem seu palpite para o resultado do jogo. Cravar crescimento x ou y no dia 20 de dezembro até eu consigo.

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No começo do ano, a média de crescimento prevista para o Brasil era de 3,3%, segundo o boletim Focus do Banco Central.

Os palpiteiros erraram, portanto, por 2,3 pontos percentuais. Em dinheiro vivo, significa que erraram por cerca de US$ 57 bilhões ou R$ 118 bilhões. Mas continuam empregados e palpitando.

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Fecha parêntesis.

Ao contrário da "Economist", cujos argumentos para decapitar Mantega eram precários, a análise da EIU toca em pontos realmente problemáticos para explicar as sucessivas quedas na taxa de investimento, que parece ser o grande problema: "carência de infraestrutura; alta carga tributária; mão de obra cara e relativamente despreparada, o que se acopla a uma legislação trabalhista rígida; uma taxa de câmbio sobrevalorizada em anos recentes (embora tenha sido algo aliviada desde março), com bens importados cobrindo uma fatia maior da demanda dos consumidores do que bens produzidos localmente".

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Eu discutiria essa história de mão de obra cara, mas passemos.

Depois, a análise envereda pela ideologia liberal, para criticar a "hiperatividade" do governo. Termina com críticas ao aparelhamento político das agências reguladoras.

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A EIU admite, no entanto, que os investidores internacionais continuam despejando dinheiro no Brasil, talvez por falta de melhores negócios em outras partes do mundo.

Faltou anotar que o eleitorado brasileiro também continua feliz com o seu governo, do que dá prova a pesquisa Datafolha que indica reeleição fácil de Dilma (ou vitória de Lula), se a eleição fosse agora.

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Eu nunca levei muito a sério as previsões dos gurus, especialmente se são do mercado financeiro. Mas, como os governos do PT tinham orgasmos quando a "turma da bufunfa" os elogiava, não podem chiar agora que ocorre o contrário.

Mesmo assim, me preocuparia menos com essa turma e mais com a nota do Fórum das Centrais Sindicais (CTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT) que critica "a falta de disposição do governo e da presidenta Dilma para negociar a agenda desenvolvimentista da classe trabalhadora, o que ocorre em notório contraste com o tratamento VIP dispensado aos representantes do capital". Dilma está, pois, unindo capital e trabalho. Contra ela.

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