Santos Cruz é o nome certo para liderar investigação sobre ataque a Elenovka, diz especialista

António Guterres declarou que pretende indicar o general Santos Cruz para liderar a missão da ONU investigará o ataque contra o centro de detenção de Elenovka, na RPD

(Foto: Fabio Pozzebom - ABR)


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Sputnik Brasil - Em entrevista à Sputnik Brasil, Vinícius Rodrigues Vieira, especialista em relações internacionais, diz que origem e histórico de Santos Cruz garantem sua legitimidade.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, declarou nesta quinta-feira (18) que pretende indicar o general Carlos Alberto dos Santos Cruz para liderar a missão da organização que será enviada para investigar o ataque contra o centro de detenção de Elenovka, na República Popular de Donetsk (RPD), ocorrido em 29 de julho.

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O centro era o local onde ficavam detidos prisioneiros de guerra ucranianos. Ele foi alvo de um bombardeio que deixou 53 prisioneiros mortos e 130 feridos. Desde então, Rússia e Ucrânia trocam acusações sobre a responsabilidade do ataque. Kiev acusa Moscou de cometer crime de guerra; já Moscou afirma que o ataque foi premeditado pela Ucrânia, pois os prisioneiros detidos no local eram membros do grupo neonazista Batalhão Azov. O ataque teria como objetivo impedir que eles dessem seus testemunhos, além de impor à Rússia uma falsa acusação de crime de guerra.

Para saber o que a indicação de Santos Cruz representa para o Brasil e como ela pode contribuir para a investigação, a Sputnik Brasil conversou com Vinícius Rodrigues Vieira, doutor em relações internacionais pelo Nuffield College, da Universidade de Oxford, e professor de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

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Vieira afirma que o primeiro ponto a ser destacado é a origem de Santos Cruz. Segundo ele, o fato de o general ser brasileiro é um fator positivo, pois garante a neutralidade e a legitimidade na investigação.

"Santos Cruz é um bom nome para a missão porque ele é de um país que não tomou um lado na questão. O Brasil está neutro diante do conflito e vem advogando o uso do multilateralismo para resolvê-lo, como é de sua tradição diplomática", explica Vieira.

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Em seguida, o especialista destaca a experiência de Santos Cruz, que já liderou missões de paz da ONU na República Democrática do Congo e no Haiti e é autor do relatório "Improving Security of United Nations Peacekeepers", publicado em 2017, que apresenta soluções para problemas enfrentados em missões de paz da ONU.

"Ele sabe como funciona uma guerra, um conflito armado. Tem noção, portanto, não apenas técnica e teórica, mas também prática de qual é a linha a ser traçada entre atrocidades, crimes de guerra, e aquilo que não pode ser considerado como tal", argumenta Vieira.

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Segundo Vieira, esses dois fatores já demonstram que a possibilidade da indicação "é uma escolha feliz", que garantiria que "qualquer que seja a conclusão do relatório da investigação, seria considerada legítima pela ONU e dificilmente seria contestada pela Rússia ou pela Ucrânia".

Por fim, Vieira afirma que o fato de Santos Cruz ter saído do governo Jair Bolsonaro, no qual atuou como ministro da Secretaria de Governo, também é um fator positivo em relação à indicação. Isso porque, caso ele ainda estivesse no governo, sua opinião poderia ser considerada tendenciosa, uma vez que Bolsonaro, "diferentemente da diplomacia brasileira, sempre deu declarações e foi visto corretamente pela mídia internacional como indo contra a Ucrânia e a favor da Rússia".

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Segundo Vieira, todos esses fatores fazem de Santos Cruz "a pessoa certa, na hora certa, para liderar esse tipo de investigação em nome da comunidade internacional".

"Se fosse um nome europeu, por exemplo, teríamos uma suspeita em torno de interesses. Porque a Europa está claramente a favor da Ucrânia. Se fosse um nome chinês, a mesma coisa. A Índia tem uma tradição de operações de paz, mas está muito próxima [do conflito entre Rússia e Ucrânia], principalmente na questão dos negócios que ela vem fazendo com a Rússia", explica o especialista.

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Ele finaliza acrescentando que o Brasil, em contraponto, está "mais distante geopoliticamente e a favor do multilateralismo".

"O uso da lei internacional para resolver disputas e conferir o mínimo de estabilidade necessária para que nós tenhamos convivência no globo é claramente algo que faz parte das credenciais de Santos Cruz. Mas o fato de ele não estar no governo Bolsonaro, ter passado e saído dele, mostra que ele é um nome independente não só na comunidade internacional, mas em relação aos eventuais interesses representados por Bolsonaro de estar mais próximo à Rússia neste momento", finaliza o especialista.

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