Rússia abre mão da “desnazificação” em troca da não adesão da Ucrânia à Otan, diz Financial Times

De acordo com reportagem, o governo russo teria alegado isso no âmbito das discussões com representantes de Kiev

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REUTERS/Alexander Ermochenko (Foto: REUTERS/Alexander Ermochenko)


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247 - Um dos mais influentes jornais do mundo, representante do capital financeiro internacional, o Financial Times, informou que o governo russo está disposto a abrir mão da “desnazificação” e a concordar com a adesão da Ucrânia à União Europeia se o país garantir que não irá aderir à Otan, aliança militar liderada pelos Estados Unidos, que usou o país vizinho à Rússia para provocar o governo de Vladimir Putin.

De acordo com a reportagem, o governo russo teria alegado isso no âmbito das discussões com representantes de Kiev.

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Ao iniciar sua operação militar na Ucrânia, no dia 24 de fevereiro, Putin declarou que, entre seus objetivos, estavam a “desmilitarização” e a “desnazificação” da Ucrânia, que ficou a reboque de nazistas e da Otan a partir do golpe de 2014 patrocinado pelos EUA.

Putin quer garantir que a Ucrânia se torne um país neutro e, portanto, busca garantias à segurança nacional de seu país, cada vez mais cercado pela Otan.

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“O esboço do documento de cessar-fogo não contém nenhuma discussão sobre três das principais demandas iniciais da Rússia — ‘desnazificação’, ‘desmilitarização’ e proteção legal para a língua russa na Ucrânia”, informa o Financial Times.

Representantes dos dois lados vão se encontrar em Istambul, na Turquia, na próxima quinta-feira, 31. As concessões russas ocorrem após as tropas militares praticamente já tendo garantido sua vitória no Donbass, no leste e no sudeste ucranianos, que fazem fronteira com a Rússia e seu território na Crimeia, após a batalha de Mariupol — na qual as tropas nazistas foram derrotadas.

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David Arakhamia, chefe do partido do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no parlamento e membro da equipe de negociação de Kiev, disse ao FT que as partes estão perto de um acordo sobre as garantias de segurança e a oferta da Ucrânia à UE, mas pediu cautela sobre as perspectivas de um avanço, alegando que Putin pode estar usando as concessões como “cortina de fumaça”.

Como parte do possível acordo, os russos querem que a Ucrânia garanta que não desenvolverá armas nucleares e não sediará bases militares estrangeiras no país, como ocorre na Polônia, que tem algumas bases norte-americanas perto da fronteira russa.

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O Financial Times lembra, no entanto, que qualquer acordo aprovado pelos representantes de Moscou e Kiev deve, em seguida, ser aprovado pelos parlamentos russo e ucraniano.

De acordo com a reportagem, o principal ponto que impede um acordo é a questão envolvendo a soberania da Crimeia, que votou, após o golpe de 2014, para ingressar na Rússia — e desde então o território foi anexado pelo país —, e a soberania do Donbass, cujas repúblicas separatistas (Donetsk e Lugansk) querem se desvincular da Ucrânia e, durante anos, foram massacradas pelo governo de Kiev.

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O ucraniano Arakhamia afirmou que Kiev não irá reconhecer esses territórios. “Esse é o ponto mais crítico”, afirmou. De acordo com o FT, a Ucrânia, no entanto, está disposta a discutir questões humanitárias, como a restauração do suprimento de água para a Crimeia, que só foi restaurado pelos russos recentemente, após oito anos.

“Se houver um cessar-fogo, os ministros das Relações Exteriores da Ucrânia e da Rússia se reunirão para redigir documentos separados para finalizar as garantias de segurança e outros acordos sobre questões sociais, como a proteção da língua russa na Ucrânia. Isso seria seguido por tentativas de organizar um encontro entre Putin e Zelensky, embora Peskov [porta-voz do Kremlin] tenha dito na segunda-feira que não há ‘nenhum movimento’ para organizar tal encontro”, diz o jornal.

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