Rússia abre mão da “desnazificação” em troca da não adesão da Ucrânia à Otan, diz Financial Times
De acordo com reportagem, o governo russo teria alegado isso no âmbito das discussões com representantes de Kiev
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247 - Um dos mais influentes jornais do mundo, representante do capital financeiro internacional, o Financial Times, informou que o governo russo está disposto a abrir mão da “desnazificação” e a concordar com a adesão da Ucrânia à União Europeia se o país garantir que não irá aderir à Otan, aliança militar liderada pelos Estados Unidos, que usou o país vizinho à Rússia para provocar o governo de Vladimir Putin.
De acordo com a reportagem, o governo russo teria alegado isso no âmbito das discussões com representantes de Kiev.
Ao iniciar sua operação militar na Ucrânia, no dia 24 de fevereiro, Putin declarou que, entre seus objetivos, estavam a “desmilitarização” e a “desnazificação” da Ucrânia, que ficou a reboque de nazistas e da Otan a partir do golpe de 2014 patrocinado pelos EUA.
Putin quer garantir que a Ucrânia se torne um país neutro e, portanto, busca garantias à segurança nacional de seu país, cada vez mais cercado pela Otan.
“O esboço do documento de cessar-fogo não contém nenhuma discussão sobre três das principais demandas iniciais da Rússia — ‘desnazificação’, ‘desmilitarização’ e proteção legal para a língua russa na Ucrânia”, informa o Financial Times.
Representantes dos dois lados vão se encontrar em Istambul, na Turquia, na próxima quinta-feira, 31. As concessões russas ocorrem após as tropas militares praticamente já tendo garantido sua vitória no Donbass, no leste e no sudeste ucranianos, que fazem fronteira com a Rússia e seu território na Crimeia, após a batalha de Mariupol — na qual as tropas nazistas foram derrotadas.
David Arakhamia, chefe do partido do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky no parlamento e membro da equipe de negociação de Kiev, disse ao FT que as partes estão perto de um acordo sobre as garantias de segurança e a oferta da Ucrânia à UE, mas pediu cautela sobre as perspectivas de um avanço, alegando que Putin pode estar usando as concessões como “cortina de fumaça”.
Como parte do possível acordo, os russos querem que a Ucrânia garanta que não desenvolverá armas nucleares e não sediará bases militares estrangeiras no país, como ocorre na Polônia, que tem algumas bases norte-americanas perto da fronteira russa.
O Financial Times lembra, no entanto, que qualquer acordo aprovado pelos representantes de Moscou e Kiev deve, em seguida, ser aprovado pelos parlamentos russo e ucraniano.
De acordo com a reportagem, o principal ponto que impede um acordo é a questão envolvendo a soberania da Crimeia, que votou, após o golpe de 2014, para ingressar na Rússia — e desde então o território foi anexado pelo país —, e a soberania do Donbass, cujas repúblicas separatistas (Donetsk e Lugansk) querem se desvincular da Ucrânia e, durante anos, foram massacradas pelo governo de Kiev.
O ucraniano Arakhamia afirmou que Kiev não irá reconhecer esses territórios. “Esse é o ponto mais crítico”, afirmou. De acordo com o FT, a Ucrânia, no entanto, está disposta a discutir questões humanitárias, como a restauração do suprimento de água para a Crimeia, que só foi restaurado pelos russos recentemente, após oito anos.
“Se houver um cessar-fogo, os ministros das Relações Exteriores da Ucrânia e da Rússia se reunirão para redigir documentos separados para finalizar as garantias de segurança e outros acordos sobre questões sociais, como a proteção da língua russa na Ucrânia. Isso seria seguido por tentativas de organizar um encontro entre Putin e Zelensky, embora Peskov [porta-voz do Kremlin] tenha dito na segunda-feira que não há ‘nenhum movimento’ para organizar tal encontro”, diz o jornal.
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