Ruanda lembra genocídio que matou 800 mil há 20 anos

País africano faz hoje um dia de reflexão e inicia um período de 100 dias de luto nacional em lembrança ao genocídio que aconteceu entre abril e julho de 1994; maioria das vítimas era da etnia Tutsi e foi massacrada por Hutus extremistas, que também não pouparam Hutus moderados

País africano faz hoje um dia de reflexão e inicia um período de 100 dias de luto nacional em lembrança ao genocídio que aconteceu entre abril e julho de 1994; maioria das vítimas era da etnia Tutsi e foi massacrada por Hutus extremistas, que também não pouparam Hutus moderados
País africano faz hoje um dia de reflexão e inicia um período de 100 dias de luto nacional em lembrança ao genocídio que aconteceu entre abril e julho de 1994; maioria das vítimas era da etnia Tutsi e foi massacrada por Hutus extremistas, que também não pouparam Hutus moderados (Foto: Gisele Federicce)


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Danilo Macedo-Repórter da Agência Brasil*

Ruanda faz nesta segunda-feira 7 um dia de reflexão e inicia um período de 100 dias de luto nacional em lembrança ao genocídio que matou mais de 800 mil pessoas no país entre abril e julho de 1994. A maioria das vítimas era da etnia Tutsi e foi massacrada por Hutus extremistas, que também não pouparam Hutus moderados. Meses antes do conflito iniciado após o assassinato do presidente ruandês Juvenal Habyarimana, em 6 de abril, a Organização das Nações Unidas (ONU) tinha informações sobre a situação perigosa pela qual passava o país, mas tardou semanas até reconhecer que se tratava de um massacre.

Líderes mundiais também se juntaram à reflexão sobre o genocídio, um dos maiores da história. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, reforçou a necessidade da comunidade internacional aprender com tais atrocidades e garantir que elas nunca se repitam. "Isso nunca deveria acontecer na história da humanidade".

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Hoje, no início da cerimônia que se realiza em Kigali, capital do país, Ban Ki-moon destacou a coragem dos funcionários da ONU na época do massacre, mas disse que, 20 anos depois, o acontecimento ainda gera "vergonha" na instituição. "Deveríamos ter feito muito mais. Em Ruanda, as tropas foram retiradas quando eram mais necessárias", disse o secretário-geral, que considera o genocídio um "fracasso emblemático" da comunidade internacional e que os líderes mundiais devem fazer mais para impedir o "evitável".

O presidente norte-americano, Barack Obama, ressaltou que não era um massacre inevitável, mas "um esforço deliberado e sistemático por parte de seres humanos para destruir outros seres humanos" e com reação tardia da comunidade internacional. "O genocídio que hoje celebramos, e o fracasso do mundo por não responder mais rapidamente, recordam-nos que existe sempre uma opção. Perante o ódio, temos de recordar a humanidade que compartilhamos. Perante a crueldade, devemos eleger a compaixão. Perante o rosto da intolerância, nunca devemos ser indiferentes", disse por meio de um comunicado.

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O evento de hoje em Kigali também celebra o processo de unidade e reconciliação do país, dividido historicamente entre duas etnias. Em missa realizada ontem (6) no Vaticano, o papa Francisco parabenizou e incentivou o povo ruandês. "Por esta ocasião, quero exprimir a minha paterna proximidade para o povo de Ruanda, encorajando-o a continuar com determinação e esperança, o processo de reconciliação que já manifestou os seus frutos, e o empenho de reconstrução humana e espiritual do País".

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