Rossi: populistas são, na verdade, populares

Colunista afirma que governos mais bem avaliados da América Latina são justamente aqueles mais rotulados como "populistas"; entre eles, está o de Rafael Correa, no Equador

Colunista afirma que governos mais bem avaliados da América Latina são justamente aqueles mais rotulados como "populistas"; entre eles, está o de Rafael Correa, no Equador
Colunista afirma que governos mais bem avaliados da América Latina são justamente aqueles mais rotulados como "populistas"; entre eles, está o de Rafael Correa, no Equador (Foto: Ana Pupulin)


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247 - Será que o rótulo populista deveria ser substituído por popular? É o que indaga Clóvis Rossi. Leia abaixo sua análise publicada na Folha?

O populismo é pop

Pesquisa 'Latinobarômetro' mostra que os regimes mais criticados como populistas são os de maior aceitação

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O tão criticado populismo é muito querido na América Latina, demonstra o "Latinobarômetro 2013", divulgado na sexta-feira, com a exclusividade de praxe pela revista britânica "The Economist".

A pesquisa deixa o Brasil em uma posição simplesmente horrível, apesar de o governo Dilma Rousseff ser rotulado de populista por tanta gente.

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De fato, quando a pergunta é se "o país é governado para o benefício de todos", menos de 30% dos brasileiros respondem que sim. O Brasil é o 15º nesse ranking, ganhando apenas de três países (Costa Rica, Honduras e Paraguai).

Pior: quando a pergunta é quão satisfeito o consultado está com a maneira como funciona a democracia em seu país, pouco mais de 20% dos brasileiros se dizem "muito" ou "algo" satisfeitos. É uma porcentagem inferior à encontrada, para a mesma questão, em 2003, o ano em que Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Presidência.

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Pelos números da pesquisa, não dá para deixar de atribuir a culpa pela insatisfação à gestão Dilma Rousseff, pela simples e boa razão de que, em 2011 (penúltimo ano do governo Lula), os "muito" ou "algo" satisfeitos com o funcionamento da democracia eram 40% --o dobro, portanto, do que se verifica agora.

Dá para dizer que a satisfação com a maneira como a democracia funcionou foi subindo durante a era Lula, para, de repente, começar a cair com Dilma. É um dado contraditório com a popularidade de que continua a gozar a presidente, mas congruente com a eclosão dos protestos de junho, que deram margem ao lançamento da criativa frase segundo a qual "éramos infelizes e não sabíamos".

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Brasil à parte, o dado que mais chama a atenção no "Latinobarômetro 2013" é o prestígio dos regimes ditos populistas de esquerda.

De fato, a média latino-americana de satisfação com a maneira como funciona a democracia é de 40% dos consultados (quase o dobro da porcentagem encontrada para o Brasil).

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Acima dessa média, figuram três dos países que se autointitulam "bolivarianos": Equador (segundo colocado, atrás do Uruguai), Nicarágua e Venezuela (sim, a Venezuela do desabastecimento, da insegurança e de uma das inflações mais altas do mundo).

Figura também a Argentina, que é considerada mais próxima do "bolivarianismo" do que do moderado "lulismo".

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A "Economist", que não tem a mais remota simpatia por regimes do gênero, explica que a satisfação "depende menos do crescimento econômico ou da qualidade das instituições do que do sentimento de que o governo está atuando em favor de todos, em vez de uns poucos privilegiados".

A revista tem razão, a julgar pelo item da pesquisa que pergunta se o país é governado para o benefício de todos: dos seis países que ficam acima da baixa média latino-americana (inferior a 30%), quatro são os mais acusados de populismo de esquerda (Equador, Nicarágua, Bolívia e Venezuela). Uruguai e El Salvador completam a lista.

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Seria mais correto trocar o rótulo "populista" por "popular", certo?

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