Roger Pinto não justifica uma crise interna ou externa
O episódio da fuga de Pinto para o Brasil, sob proteção de um diplomata e de militares brasileiros, precisa ser esclarecido em todos os aspectos. Mas não tem de ganhar relevância interna ou se transformar em um conflito diplomático
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O senador boliviano Roger Pinto não é o primeiro político acusado de corrupção que se diz perseguido político. É verdade que, conservador e ideologicamente de direita, faz oposição ao governo de Evo Morales. Mas todos sabem que Pinto se refugiou na embaixada brasileira em La Paz para evitar ser preso não por fazer oposição, mas porque responde a mais de 20 processos por corrupção, dano ambiental e cumplicidade em assassinato. Pela sua história de vida, todas as acusações podem ser verdadeiras – especialmente as de corrupção.
Se o governo brasileiro lhe concedeu asilo, porém, não se justifica que o governo da Bolívia tenha negado salvo-conduto por tanto tempo, impedindo que Pinto viesse para o Brasil. A atitude de obrigar uma pessoa a viver longo tempo em uma embaixada ou consulado, em más condições, é desumana e desnecessária. O Reino Unido comete esse desatino com Julian Assange, abrigado em más condições em um consulado do Equador em Londres.
O episódio da fuga de Pinto para o Brasil, sob proteção de um diplomata e de militares brasileiros, precisa ser esclarecido em todos os aspectos. Mas não tem de ganhar relevância interna ou se transformar em um conflito diplomático. Tem de ter o tamanho do que Pinto representa hoje: insignificante. A Bolívia pode julgá-lo à revelia (escolhida por ele) e o Brasil pode cumprir a norma internacional que impede asilados de se manifestar politicamente.
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