Revés de Theresa May no Reino Unido é uma vitória da esperança

Apesar das possibilidades de um governo conservador, os resultados demonstram uma vitória da esperança. Por muito tempo a política britânica tem sido dominada pelo cinismo e pelo desprezo em relação à voz dos mais pobres e dos jovens. Quando líderes políticos viam, a distância, multidões clamando por menos guerras, por menos concessões aos multibilionários e por um salário mínimo digno, eles o dispensavam como movimentos coordenados por uma minoria. Agora, o jogo mudou

Protesto contra Theresa May
Protesto contra Theresa May (Foto: Leonardo Attuch)


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Por Leonardo Sobreira, de Londres, especial para o 247

O resultado das eleições gerais no Reino Unido tomou todos de surpresa. Tendo conquistado 32 assentos a mais do que nas últimas eleições, os Trabalhistas, liderados por Jeremy Corbyn, criaram uma dor de cabeça intensa a atual Primeira-Ministra Theresa May, que deu sinais de que formará uma aliança com o ultraconservador Partido Unionista Democrático (DUP) da Irlanda do Norte.

Caso a aliança se concretize, Theresa May estaria colocando no governo um partido que, apesar de não mencionar tópicos como o casamento gay e o aborto em seu manifesto, possui parlamentares que negam qualquer tipo de progressismo.

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Theresa May tem até dia 19 para apresentar um programa de governo, que será julgado pelo novo Parlamento. Caso o programa não garanta o apoio de uma maioria parlamentar, o caminho está aberto para que seja formado um governo de minoria ou até mesmo para novas eleições gerais.

Do outro lado, a única opção que resta aos Trabalhistas e a formação de um governo de minoria, já que os líderes de outros partidos progressistas se recusaram a entrar em alianças tanto com os Trabalhistas como com os Conservadores.

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Apesar das possibilidades de um governo conservador, os resultados demonstram uma vitória da esperança. Por muito tempo a política britânica tem sido dominada pelo cinismo e pelo desprezo em relação à voz dos mais pobres e dos jovens. Quando líderes políticos viam, a distância, multidões clamando por menos guerras, por menos concessões aos multibilionários e por um salário mínimo digno, eles os dispensavam como movimentos coordenados por uma minoria.

Eles assumiam que o povo era movido por interesse próprio, e que uma política honesta e com princípio seria impossível. Na noite de quinta-feira, no entanto, eles se surpreenderam quem se iludiu com a possibilidade de acabar com a oposição

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Seu objetivo de passar um Brexit sem oposição parlamentar, sem críticas aos seus planos de reverter o país a leis da OMC e de transformar o país em refúgio ao multibilionarios que sonegam impostos, está perdido. Seu apoio parlamentar e hoje menor do que há alguns meses atrás. Seria esse um mero erro de cálculo político? Ou talvez parte de um problema maior, que demonstra a distância das elites políticas em relação aos problemas que permeiam a maior parte da sociedade?

Theresa May e seu partido Conservador por muito tempo abusaram da boa vontade da população britânica. Finalmente, o povo demonstrou sua força e seu desafeto com o partido que promoveu bancos de alimentos, cortou benefícios para deficientes e para os mais pobres, ao mesmo tempo em que beneficiou seus amigos do setor financeiro.

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A escolha do slogan 'forte e estável' para Theresa May durante a campanha soa como piada. Afinal, o que é mais 'estável:' um governo que se dedica aos interesses de uma minoria elitista e prejudica os mais pobres, ou um governo liderado por um homem modesto e que dedicou sua vida inteira a luta pela justiça social?

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